Adeus ao Casarão Histórico: Castelo Construirá Réplica da Fontana di Trevi

Um antigo casarão, com significativa história para o município de Castelo, no Espírito Santo, foi demolido na madrugada do último domingo (21). No local, erguido entre 1935 e 1940, a prefeitura planeja a construção de uma réplica da famosa Fontana di Trevi, monumento turístico de Roma, Itália. O imóvel, que pertenceu à família Vivacqua, notória por figuras como Dora Vivacqua, a Luz del Fuego, e o senador Atílio Vivacqua, agora dá lugar a um novo empreendimento público.
A decisão de edificar a réplica da fonte romana foi anunciada pelo prefeito João Paulo Nali em suas redes sociais, no mesmo dia da demolição. Segundo o prefeito, a iniciativa integra um plano de intervenções urbanas com referências internacionais, visando a criação de uma nova praça turística na cidade. A prefeitura confirmou que o projeto será executado no terreno onde o casarão se encontrava.
A derrubada do casarão, no entanto, gerou repercussão e lamento entre moradores e familiares. Expressões de tristeza e nostalgia marcaram manifestações nas redes sociais. Residentes lamentaram a perda de um espaço com fortes memórias afetivas, enquanto outros compartilharam frustração por não verem a casa transformada em um centro cultural, como um museu combinado com cafeteria e livraria.
Diogo Vivacqua, médico veterinário e membro da família, ressaltou a importância do imóvel para além de suas dimensões físicas. Ele descreveu o casarão como palco de eventos sociais importantes, aulas de dança, ponto de encontro de jovens e um refúgio com amplo quintal. Para ele, a demolição representa uma perda não apenas para a família, mas para a história de Castelo e do estado capixaba.
A Prefeitura de Castelo esclareceu que o município adquiriu o casarão há aproximadamente 20 anos, mas o imóvel encontra-se desocupado desde 2014. A administração municipal justificou a demolição alegando a deterioração do prédio devido a enchentes, tornando a recuperação inviável tanto pelo alto custo quanto pela falta de um propósito claro para o imóvel. O casarão não possuía reconhecimento oficial de patrimônio histórico ou tombamento.
A aprovação para a demolição foi concedida pelo Conselho de Cultura do Município. A prefeitura informou que a escolha da madrugada para a execução da demolição visou minimizar riscos à população, considerando o acesso restrito ao local.



