Aquecimento Global Amplifica Ameaça de Doença Parasitária em Cães
Foto: PixHere/Divulgação/Correio BrazilienseA intensificação do aquecimento global projeta um cenário de maior risco para a disseminação da dirofilariose canina, popularmente conhecida como verme do coração. Evidências científicas sugerem que as alterações climáticas podem expandir o alcance geográfico desta grave enfermidade, antes restrita a determinadas regiões, ampliando os perigos para a saúde dos animais e, em circunstâncias específicas, para os seres humanos.
Causada pelo parasita Dirofilaria immitis e transmitida por mosquitos vetores, a doença encontra nas mudanças climáticas um catalisador para sua proliferação. O aumento das temperaturas e a alteração nos padrões de chuva e umidade podem estender o período em que a transmissão do parasita ocorre e permitir sua instalação em novas áreas.
Pesquisas recentes, como um estudo da Universidade de Adelaide, analisaram dados históricos e projeções climáticas futuras, considerando diferentes cenários de emissão de gases de efeito estufa. As análises indicam que regiões da América do Sul, África Subsaariana, Ásia e Austrália podem apresentar um crescimento nas condições propícias ao desenvolvimento e transmissão da dirofilariose.
Fatores Climáticos e o Ciclo do Parasita
O desenvolvimento das larvas do parasita dentro do mosquito, etapa crucial para a transmissão, é diretamente influenciado pela temperatura ambiente. Temperaturas abaixo de 14°C podem impedir esse desenvolvimento. Com o aquecimento global, estima-se uma redução nos períodos de restrição térmica, permitindo um ciclo mais completo e contínuo do parasita nos vetores e, consequentemente, uma maior probabilidade de infecção em cães.
As projeções científicas classificam áreas geográficas em categorias de restrição total, sazonal ou ausência de restrição térmica significativa para o desenvolvimento do parasita. O aquecimento global tende a diminuir a incidência de restrições, transformando áreas com transmissão limitada em regiões com potencial para infecções persistentes.
Expansão no Brasil: Novos Cenários Epidemiológicos
No Brasil, observam-se sinais de que a dirofilariose canina pode estar modificando sua distribuição geográfica. Embora historicamente associada a áreas litorâneas com clima favorável, a doença tem sido registrada em locais continentais e em municípios onde sua presença era incomum, incluindo o sertão nordestino.
Estudos apontam um aumento da positividade em algumas regiões, com prevalências que, após um período de declínio com medidas de controle, mostram tendência de elevação. Fatores como as mudanças climáticas, a expansão dos mosquitos vetores e relatos de resistência a medicamentos preventivos contribuem para essa nova realidade.
A Doença e Seus Efeitos
A dirofilariose canina pode evoluir silenciosamente por longos períodos, dificultando o diagnóstico precoce. Quando os sintomas se manifestam, podem incluir:
Tosse persistente;
Fadiga e redução da disposição física;
Dificuldade respiratória;
Perda de peso.
Em estágios avançados, a doença compromete os sistemas cardiovascular e pulmonar, podendo levar a quadros fatais.
Prevenção e o Papel da Vigilância
A prevenção da dirofilariose canina é multifacetada, envolvendo:
Acompanhamento veterinário regular para avaliação de risco e indicação de testes profiláticos anuais;
Uso de antiparasitários conforme prescrição profissional;
Aplicação de medidas para controle de mosquitos vetores, como o uso de coleiras repelentes.
A doença também pode afetar seres humanos de forma acidental, geralmente manifestando-se em nódulos pulmonares que podem ser confundidos com outras patologias. A abordagem de Saúde Única, que integra a vigilância da saúde humana, animal e ambiental, é crucial para monitorar a evolução da dirofilariose e desenvolver estratégias de controle mais eficazes em um cenário de mudanças climáticas.



