Casal preso por agiotagem e lavagem de dinheiro: R$ 70 milhões em bens bloqueados

Um casal foi detido na manhã desta terça-feira em Baixo Guandu, Noroeste do Espírito Santo, sob suspeita de envolvimento em agiotagem e lavagem de dinheiro. As atividades criminosas estariam conectadas a fraudes veiculares, jogos ilegais e outros delitos patrimoniais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 70 milhões em bens e valores que teriam sido movimentados pelo casal e por um grupo criminoso desde 2018.
A operação, denominada Castelo de Areia, incluiu o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Espírito Santo, como Baixo Guandu, Colatina, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, além de Aimorés, em Minas Gerais.
Os indivíduos identificados como Bruno Soares Mendonça, de 37 anos, apontado como alvo principal da operação e conhecido como "Leite Ninho", e Bárbara Alves, de 34 anos, foram localizados em uma residência de luxo em Baixo Guandu. A polícia indica que outros participantes do esquema permanecem foragidos.
Durante as ações, foram apreendidas:
Três armas de fogo.
Diversas munições.
R$ 42,3 mil em espécie.
Veículos de luxo, como uma BMW X4 e uma SW4 blindada.
Joias.
Celulares e equipamentos eletrônicos.
Adicionalmente, foram recolhidas mais de 1.500 notas promissórias, cheques e documentos financeiros. A Justiça também determinou o bloqueio de dois imóveis de alto padrão.
A investigação teve início em 2024, quando as autoridades notaram que o casal mantinha um estilo de vida ostensivo, incompatível com a renda declarada, exibindo imóveis e veículos de luxo.
Segundo as investigações, Bruno Soares Mendonça não possuía ocupação formal, enquanto Bárbara Alves alegava ser proprietária de uma clínica de estética. A polícia aponta que esta clínica funcionava como uma empresa de fachada para as atividades ilícitas.
O histórico de Bruno Soares Mendonça indica uma transição de crimes violentos, como roubos a bancos e de cargas, para fraudes financeiras complexas, com foco na ocultação e dissimulação de patrimônio. Conforme relatado pelo delegado Anderson Pimentel, o investigado migrou de crimes com violência física para práticas financeiras mais danosas à sociedade, utilizando empresas de fachada e aquisição de bens de luxo para mascarar seus ganhos ilícitos.
Em 2018, Bruno teria comandado o roubo a uma agência do Banco do Brasil em Guarapari, resultando no furto de aproximadamente R$ 600 mil. Ele chegou a ser preso em 2022, em Vitória, por esse crime.
Atualmente, o casal estaria envolvido em agiotagem, extorsão e fraudes. Há indícios de que pelo menos dois roubos de veículos foram simulados para o recebimento de seguros, com a participação ativa de Bárbara Alves.
No esquema de agiotagem, bens como imóveis e veículos eram utilizados como garantia para empréstimos ilegais.
O bloqueio de até R$ 70 milhões refere-se à movimentação financeira considerada suspeita ao longo da investigação, baseada em relatórios de órgãos de controle. O delegado esclareceu que o valor exato bloqueado será confirmado após o retorno das instituições financeiras.
Caso a origem ilícita dos valores seja comprovada, o dinheiro poderá ser repatriado ao Estado.
O inquérito policial investiga os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, além de possíveis delitos como falsidade ideológica, fraude contra seguradoras e posse irregular de munição. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e desvendar novas ramificações do esquema.
A defesa de Bruno e Bárbara declarou que a prisão tem caráter temporário e se relaciona a fatos passados, com base em supostas movimentações financeiras entre 2022 e 2024. Os advogados contestaram a medida, argumentando que ela foi decretada sem a presença dos requisitos legais e que as provas já estavam produzidas, sem risco de interferência ou ocultação por parte dos investigados. A defesa considera a decisão prematura e sem justificativas concretas para uma medida tão grave.



