Centenário: Colégio Jesus Cristo Rei Inicia Celebrações de 100 Anos de Missão
Foto: Divulgação/Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ESO Colégio Jesus Cristo Rei (CREI), localizado em Cachoeiro de Itapemirim, deu início oficial às solenidades em comemoração ao centenário de sua fundação e do Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia (IJE), entidade responsável pela sua administração. A cerimônia de abertura, realizada em 9 de outubro, contou com uma celebração eucarística que reuniu religiosas, corpo docente, estudantes e colaboradores, promovendo um momento de fé, gratidão e reafirmação da missão educativa.
Fundadas em 10 de outubro de 1927, as instituições alcançam 100 anos de existência em 2027, trajetória essa moldada pela dedicação à educação, à evangelização e à formação integral de indivíduos com princípios humanos e cristãos. A iniciativa pioneira partiu de Madre Gertrudes de São José, cujo legado inspirou diversas gerações de religiosas e educadores.
A Santa Missa foi presidida pelo padre José Carlos Ferreira da Silva, vigário episcopal para a Comunicação da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, com o apoio do diácono Rogério Falqueto Júnior.
Em sua saudação, a diretora Charline Barrozo ressaltou a importância da presença do Espírito Santo na trajetória das instituições e enfatizou que a educação transcende a mera transmissão de conhecimento, abrangendo a formação de cidadãos comprometidos com os valores evangélicos, a solidariedade e o serviço ao próximo.
A homilia, proferida pelo padre José Carlos, estabeleceu um paralelo entre a história do colégio e da congregação com o Evangelho da multiplicação dos pães, destacando três pilares essenciais para a continuidade da missão: a compaixão, a responsabilidade e a vivência da Eucaristia através de ações concretas de amor.
Ao rememorar o exemplo de Madre Gertrudes de São José e das primeiras irmãs, o sacerdote convocou a comunidade a manter um olhar atento e compassivo às necessidades humanas, questionando:
“Continuamos olhando uns para os outros com a mesma compaixão que inspirou a nossa fundadora?”
O padre explicou que a fidelidade ao carisma de uma instituição religiosa se manifesta não apenas na continuidade de suas atividades, mas principalmente na forma como as pessoas são acolhidas, respeitadas e cuidadas.
“Podemos fazer muitas atividades e, ainda assim, perder a sensibilidade de olhar e de ter compaixão”, observou.
A compaixão, segundo o sacerdote, deve se converter em responsabilidade. Citando a passagem bíblica em que Jesus instrui os discípulos a darem de comer aos necessitados, ele sublinhou a exigência de atitudes concretas diante do próximo no compromisso cristão.
Nesse sentido, a atuação das Irmãs de Jesus na Eucaristia foi associada à oferta de educação, cuidado, conhecimento e esperança, reafirmando que a missão religiosa se concretiza no serviço à comunidade.
O padre José Carlos também homenageou Irmã Maria Joana Otília, enaltecendo seu testemunho de dedicação e afeto para com os mais necessitados.
A celebração dos 100 anos foi apresentada como um momento de reflexão sobre o passado e, sobretudo, de renovação para enfrentar os desafios atuais.
“O Jubileu não é somente o momento de recordar o que foi realizado, mas é o momento de renovar a coragem de responder às necessidades do nosso tempo”, declarou.
A reflexão abordou questões contemporâneas, como a saúde mental e a importância de relações humanas mais equilibradas, acolhedoras e solidárias.
Dirigindo-se às religiosas, o padre questionou:
“Qual é o pão que Deus vai pedir que vocês, irmãs, deem ao mundo neste momento?”
A mensagem enfatizou a necessidade de manter vivo o carisma das fundadoras, buscando novas abordagens na educação, evangelização e serviço, sem descaracterizar a identidade da congregação.
Foi destacada a conexão entre a Eucaristia e a caridade, ressaltando que a espiritualidade deve refletir-se no cuidado com o próximo e no respeito à dignidade humana.
“Ser Eucaristia significa aprender com Jesus a fazer da nossa vida uma oferta de amor”, pontuou.
O sacerdote compartilhou memórias de religiosas que, em sua juventude, o acolheram e ouviram, evidenciando a importância da proximidade e do diálogo na formação humana e espiritual.
“Não podemos adorar Cristo presente na Eucaristia e permanecer indiferentes a Cristo presente nos irmãos”, afirmou.
Na parte final de sua homilia, o padre José Carlos dirigiu uma mensagem aos professores, colaboradores e estudantes do Colégio Jesus Cristo Rei, sublinhando o papel de cada um na continuidade da missão educativa.
“Educar também é uma maneira de repartir o pão”, declarou.
Ele explicou que os professores compartilham conhecimento, os colaboradores oferecem cuidado e serviço, e os estudantes são incentivados a aplicar o aprendizado em benefício da sociedade.
“Ninguém aprende para si mesmo. Nós aprendemos para que o nosso conhecimento esteja a serviço dos outros, esteja a serviço de um mundo melhor”, destacou.
O orador concluiu expressando o desejo de que a instituição continue a formar indivíduos competentes, solidários e engajados com a vida e a transformação social.
Ao término da celebração, a superiora-geral do Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia, irmã Mariluce Claudio dos Santos, dirigiu palavras à comunidade educativa, relembrando a história das instituições e expressando esperança no futuro.
A religiosa mencionou a chegada de Madre Gertrudes de São José e Irmã Josefina do Sagrado Coração ao Espírito Santo em 1927. Segundo ela, a demanda da sociedade por uma instituição de ensino dirigida por religiosas foi acolhida como um chamado divino, dando origem a uma missão que atravessaria gerações.
“Hoje celebramos 99 anos de caminhada, 99 anos vividos sob o olhar amoroso de Jesus Cristo Rei, reconhecendo que esta história é, antes de tudo, obra da Providência Divina”, declarou.
Irmã Mariluce também reconheceu a contribuição de religiosas, professores, estudantes, ex-alunos, colaboradores, famílias, amigos e benfeitores na edificação desta trajetória.
“Cada geração e cada experiência faz parte deste grande mosaico que hoje contemplamos com gratidão”, afirmou.
Em seguida, a superiora-geral anunciou oficialmente a abertura do Ano Jubilar.
“É com o coração agradecido e cheio de esperança que, nesta celebração, declaramos oficialmente aberto o Jubileu do Centenário do Colégio Jesus Cristo Rei! 100 anos de história! 100 anos de educação, fé e missão!”, proclamou.
A superiora-geral enfatizou que o centenário representa uma oportunidade para renovar o compromisso da educação católica com a dignidade humana, a solidariedade e a transformação da sociedade sob a luz do Evangelho.
Durante a cerimônia, foi apresentado o Selo do Centenário, símbolo que representará as iniciativas e atividades do Ano Jubilar. A identidade visual simboliza o legado construído e a continuidade da missão educativa. A irmã Mariluce reforçou, em sua mensagem, que a educação católica deve ir além da transmissão de conhecimentos, promovendo também a formação da consciência, o despertar da fé e o desenvolvimento de pessoas comprometidas com o bem comum.
“Que este Jubileu seja um tempo de memória agradecida, presença comprometida e esperança renovada”, expressou.
Ao final, ela confiou a jornada jubilar a Jesus Cristo Rei e solicitou a intercessão de Madre Gertrudes e Irmã Josefina para que a comunidade continue a missão iniciada pelas fundadoras.
A abertura do Jubileu contou com a presença de diversas religiosas do Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia, incluindo a vice-superiora-geral, irmã Edith Thomazini; a secretária-geral, irmã Maria Cleonice Castro; e a ecônoma-geral, irmã Marta Caliman, entre outras integrantes da congregação.
O Colégio Jesus Cristo Rei (CREI), estabelecido em Cachoeiro de Itapemirim em 10 de outubro de 1927, nasceu da aspiração das famílias locais por uma instituição de ensino baseada em valores cristãos e dedicada à formação integral de crianças e jovens. Mantido pelo Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia, o colégio de natureza confessional católica, filantrópica e sem fins lucrativos, inspira-se nos princípios de Madre Gertrudes de São José, integrando conhecimento, fé, responsabilidade social e formação humana. Sua trajetória consolidou sua importância em Cachoeiro e municípios vizinhos, adaptando-se às transformações educacionais sem perder sua identidade cristã.
O Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia (IJE), fundado em 10 de outubro de 1927 em Cachoeiro de Itapemirim por Madre Gertrudes de São José, surgiu da percepção das necessidades da população e do desejo de servir à Igreja por meio da educação, evangelização e amparo aos necessitados. Sua espiritualidade tem como centro Jesus Cristo Eucarístico e busca a integração entre oração e serviço prático. Valores como simplicidade, humildade, hospitalidade, justiça, coragem, solidariedade e amor aos pobres norteiam sua missão. Em 1948, o Instituto foi formalmente estabelecido como Congregação de Direito Diocesano pela Santa Sé, consolidando sua atuação religiosa.



