Diocese Lidera Articulação para Apoio a Vulneráveis
Foto: Divulgação/Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ESA Diocese de Cachoeiro de Itapemirim organizou, em 29 e 30 de julho, encontros estratégicos visando a criação de uma atuação coordenada em benefício de pessoas em situação de rua e com dependência química. A iniciativa promoveu a colaboração entre representantes do executivo municipal, do Ministério Público e de organizações da sociedade civil.
Os debates foram estruturados em duas fases. No primeiro dia, a equipe da Diocese recebeu membros das secretarias municipais de Saúde, Direitos Humanos e Assistência Social. A segunda etapa contou com a participação do prefeito, secretários municipais de Fazenda, promotores de justiça, e representantes da Comissão Justiça e Paz e da Cáritas Diocesana.
O bispo diocesano, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, explicou que o objetivo central foi consolidar esforços de diferentes setores que, frequentemente, atuam de maneira fragmentada. "É fundamental unirmos as ações que a Igreja, as secretarias e o Ministério Público já desenvolvem. A formação de um comitê colaborativo é essencial para identificarmos soluções e oportunidades", declarou o bispo, ressaltando o caráter pastoral e colaborativo do evento.
Adicionalmente à assistência direta, foram discutidos os possíveis efeitos do Decreto Municipal nº 37.471/2026, que prevê um bloqueio orçamentário de aproximadamente R$ 77,1 milhões. Diante de um cenário onde 33,3% da população possui renda mensal per capita inferior a meio salário mínimo, as entidades expressaram profunda preocupação com a continuidade de serviços essenciais.
Os encontros detalharam os riscos e a necessidade de proteção para áreas consideradas sensíveis:
Assistência Social: A manutenção de serviços como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), CREAS, Centro POP, programas de abordagem, acolhimento institucional e parcerias com o terceiro setor foram pontos centrais.
Saúde: Foi abordada a garantia do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a continuidade no fornecimento de medicamentos, a preservação de equipamentos e a asseguração da complementação de pisos salariais para profissionais de enfermagem e agentes comunitários.
Valéria Martins Hoinhas, coordenadora da Comissão Justiça e Paz, avaliou o resultado das reuniões como extremamente produtivo, enfatizando a importância da retomada de normativas já existentes. "Discutimos políticas que necessitam de fortalecimento e a urgência na implementação de um comitê já previsto em lei para gerir estas políticas públicas", afirmou.
O prefeito Theodorico de Assis Ferraço sublinhou que a resolução das questões demanda união e empatia. "Frequentemente, há uma doença que requer tratamento. O amor e um local adequado para a recuperação são os melhores remédios", declarou, defendendo um acolhimento que vá além do abrigo temporário, abrangendo aspectos de saúde, capacitação profissional e restabelecimento de laços familiares.
Como encaminhamentos, foi definida a consolidação do comitê municipal, com a participação do poder público, Ministério Público, igrejas e sociedade civil. Ademais, será demandada transparência sobre os impactos fiscais do decreto e a garantia da proteção de áreas consideradas invioláveis, como alimentação, saúde, merenda escolar e transporte.



