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Política

Eleições 2026: quem cresceu, quem perdeu força e quanto custou cada voto em Marataízes?

Autoral 12/10/2026
Eleições 2026: quem cresceu, quem perdeu força e quanto custou cada voto em Marataízes?

Anderson Pedreiro e Cabo Vidal ampliam sua presença eleitoral, enquanto Marco Vivácqua, Cláudia Lemos e Breno Nilregi enfrentam desafios distintos. Os números das urnas e os recursos declarados ajudam a traçar um retrato das forças políticas no município.

Passado o primeiro turno das eleições de 2026, os resultados começam a revelar mais do que os nomes eleitos. Em Marataízes, no litoral sul capixaba, as urnas deixaram sinais importantes sobre o crescimento de algumas lideranças, a perda de espaço de outras e a capacidade de transformar recursos financeiros em votos.

A comparação entre as eleições de 2020, 2022, 2024 e 2026 permite observar trajetórias distintas. Enquanto alguns candidatos ampliaram sua presença eleitoral, outros, mesmo com estruturas políticas e financeiras expressivas, registraram recuos na votação municipal.

Outro dado que chama a atenção é a relação entre os recursos recebidos e o total de votos conquistados. Embora o custo financeiro por voto não seja suficiente para medir o desempenho de uma campanha, ele oferece um indicador interessante para comparar os resultados declarados pelos candidatos.

Entre os nomes que merecem atenção estão Anderson Pedreiro, Cabo Vidal, Marco Vivácqua, Cláudia Lemos e Breno Nilregi.

Anderson Pedreiro: crescimento eleitoral e incerteza política

Anderson Pedreiro apresenta uma trajetória de crescimento nas urnas que merece ser observada.

Em 2020, foi eleito vereador de Marataízes pelo PSB com 388 votos. Quatro anos depois, aumentou sua votação para 1.109 votos, um crescimento de aproximadamente 186% em relação à eleição anterior.

Em 2026, ao disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, alcançou 4.406 votos no total, dos quais 3.472 foram obtidos em Marataízes.

É importante considerar que eleições proporcionais municipais e estaduais possuem dinâmicas diferentes, com eleitorados, concorrentes e abrangências distintas. Ainda assim, os números demonstram que Anderson conseguiu ampliar sua votação e alcançar um patamar expressivo de apoio no município.

O resultado chama ainda mais atenção quando observado em conjunto com o cenário político enfrentado pelo vereador. Anderson corre o risco de perder o mandato em razão da decisão da Justiça Eleitoral que determinou a cassação dos diplomas dos eleitos e suplentes vinculados à chapa do PSB de Marataízes, em processo envolvendo fraude à cota de gênero.

A situação cria um contraste: ao mesmo tempo que amplia sua votação eleitoral, o político enfrenta uma incerteza institucional que pode interferir em seus próximos passos.

No aspecto financeiro, Anderson recebeu R$ 91.910,00 em doações privadas. Dividido pelos 4.406 votos conquistados, o valor corresponde a aproximadamente R$ 20,86 por voto.

O indicador não explica sozinho o resultado, mas ajuda a dimensionar os recursos utilizados em relação à votação alcançada.

Cabo Vidal: votação expressiva e baixo custo financeiro por voto

Se Anderson Pedreiro apresentou crescimento, Cabo Vidal também terminou a eleição de 2026 com números que colocam sua trajetória em evidência no litoral sul capixaba.

Policial militar, Vidal disputou sua primeira eleição em 2024, quando concorreu a vereador pelo MDB e obteve 564 votos em Marataízes, ficando como primeiro suplente.

Dois anos depois, sua candidatura a deputado estadual alcançou 11.806 votos em todo o Espírito Santo, sendo 4.032 em Marataízes.

Na comparação municipal, a votação passou de 564 para 4.032 votos, o que representa um crescimento de aproximadamente 615%. Em termos absolutos, Vidal conquistou 3.468 votos a mais na cidade.

O resultado estadual também merece atenção: os 11.806 votos representam mais de vinte vezes a votação obtida por ele na disputa municipal de 2024, embora sejam eleições de naturezas distintas e com abrangências diferentes.

Além da votação, outro dado se destaca: Vidal recebeu R$ 44.383,00 em doações privadas. Considerando os 11.806 votos obtidos, o custo financeiro aproximado foi de R$ 3,76 por voto.

Entre os cinco candidatos analisados, esse é o menor valor calculado a partir dos recursos informados e da votação total.

Isso não significa, isoladamente, que sua campanha tenha sido a mais eficiente em todos os aspectos. A origem e a natureza dos recursos, a estrutura de mobilização, o trabalho voluntário e outros fatores também influenciam o resultado. Ainda assim, a combinação entre votação expressiva e baixo custo financeiro por voto é um dos dados que mais chamam a atenção nesta análise.

A eleição também ampliou a presença de Vidal no debate político regional, especialmente em Marataízes e Itapemirim, onde ultrapassou a marca de 4 mil votos em cada município.

Marco Vivácqua: crescimento estadual, mas recuo em Marataízes

Com trajetória consolidada no litoral sul capixaba, Marco Vivácqua disputou em 2026 sua terceira eleição consecutiva para deputado estadual.

Em 2018, obteve 10.132 votos no Espírito Santo, dos quais 4.309 foram em Marataízes. Em 2022, chegou a 12.738 votos no total, com 5.912 no município. Já em 2026, alcançou 14.574 votos em todo o estado, sendo 5.568 em Marataízes.

O quadro apresenta duas leituras distintas.

No resultado estadual, Vivácqua manteve uma trajetória ascendente, com crescimento de aproximadamente 14,4% em relação a 2022. No município, entretanto, houve uma redução de 5,8% na votação, passando de 5.912 para 5.568 votos.

A queda local merece atenção porque, segundo as informações que circulavam no cenário político municipal, Vivácqua contou com apoio amplo da administração de Marataízes. Também houve questionamentos e atritos relacionados ao direcionamento desse apoio, conforme repercussões na imprensa local.

Esse contexto abre espaço para uma reflexão: até que ponto o apoio político de uma gestão municipal consegue se converter em votos adicionais para determinado candidato?

Os números, por si só, não permitem afirmar que o apoio da administração tenha sido insuficiente ou que tenha provocado perdas eleitorais. Demonstram, contudo, que a votação de Vivácqua em Marataízes recuou, mesmo com o crescimento registrado no conjunto do estado.

No aspecto financeiro, o candidato recebeu R$ 491.000,50 em doações privadas. Dividido pelos 14.574 votos conquistados, o valor corresponde a aproximadamente R$ 33,69 por voto.

O caso ilustra que uma votação estadual crescente pode coexistir com uma redução localizada, reforçando a importância de analisar os resultados municipais separadamente.

Cláudia Lemos: queda expressiva na votação

Ex-vereadora de Cachoeiro de Itapemirim e ex-deputada estadual, Cláudia Lemos é uma figura conhecida na política sul-capixaba. Recentemente estabelecida em Marataízes, disputou em 2026 uma vaga na Câmara dos Deputados.

Em 2022, recebeu 3.810 votos em todo o Espírito Santo, sendo 1.095 em Marataízes. Na eleição deste ano, obteve 2.331 votos no estado, dos quais apenas 517 foram registrados no município.

A redução foi de aproximadamente 38,8% na votação total e de 52,8% em Marataízes.

O resultado local chama a atenção por representar uma perda superior à metade dos votos que havia conquistado na cidade quatro anos antes.

É necessário considerar que a transferência de domicílio eleitoral, o contexto partidário, a concorrência e as características de cada eleição podem interferir no desempenho de uma candidatura. Ainda assim, os números revelam uma retração significativa, tanto no resultado estadual quanto na presença eleitoral em Marataízes.

No financiamento, Cláudia recebeu R$ 1.087.260,00 em recursos de origem partidária, conforme os dados apresentados. Dividido pelos 2.331 votos conquistados, o valor corresponde a aproximadamente R$ 466,43 por voto.

Trata-se do maior custo financeiro por voto entre os cinco nomes analisados.

É importante ressaltar que recursos partidários não equivalem necessariamente a dinheiro gasto exclusivamente em ações direcionadas ao eleitorado de Marataízes. O cálculo considera o total de recursos informado em relação à votação estadual, sem estabelecer uma relação causal entre financiamento e desempenho.

Mesmo com essa ressalva, a combinação entre volume expressivo de recursos e redução da votação torna o resultado de Cláudia um dos pontos que merecem análise nesta eleição.

Breno Nilregi: perda de votos e desafio para reconstruir espaço

Empresário conhecido em Marataízes, Breno Nilregi disputou uma vaga de deputado federal em 2022, quando obteve 10.777 votos em todo o estado, sendo 4.873 no município.

Em 2026, sua votação caiu para 4.722 votos no Espírito Santo, dos quais 2.164 foram conquistados em Marataízes.

A retração foi de aproximadamente 56,2% no total estadual e de 55,6% no município.

Diferentemente de uma oscilação localizada, o resultado indica uma redução significativa nas duas escalas analisadas. A votação municipal caiu em 2.709 votos, enquanto o total estadual recuou em 6.055.

No campo financeiro, Breno recebeu R$ 733.148,33 em recursos partidários. Considerando os 4.722 votos obtidos, o custo aproximado foi de R$ 155,26 por voto.

Embora esse indicador não explique as razões da queda, a comparação entre as duas eleições evidencia um desafio para a continuidade de seu projeto político: compreender por que uma parcela expressiva do eleitorado que o apoiou em 2022 não repetiu o voto em 2026.

A resposta pode envolver fatores como cenário partidário, concorrência, exposição pública, alianças e mudanças nas prioridades dos eleitores. Sem dados adicionais, não seria correto atribuir o resultado a uma causa específica.

O que os números permitem afirmar é que Breno terminou a eleição com uma votação consideravelmente inferior àquela que havia conquistado quatro anos antes.

O que os números revelam sobre o cenário político de Marataízes?

A comparação entre os cinco candidatos revela trajetórias diferentes e mostra por que uma análise eleitoral não pode se limitar ao total de votos obtidos.

Anderson Pedreiro e Cabo Vidal ampliaram sua votação municipal em disputas sucessivas, embora partindo de contextos eleitorais distintos. Marco Vivácqua cresceu no estado, mas perdeu votos em Marataízes. Cláudia Lemos e Breno Nilregi registraram quedas expressivas tanto no total estadual quanto na votação municipal.

A análise financeira acrescenta outra camada à leitura dos resultados. Com base nos valores informados, Cabo Vidal apresentou o menor custo aproximado por voto, seguido de Anderson Pedreiro e Marco Vivácqua. Breno Nilregi e Cláudia Lemos registraram valores superiores, com Cláudia apresentando o maior custo calculado.

Esses indicadores, porém, precisam ser interpretados com cautela. As candidaturas disputaram cargos diferentes, receberam recursos de origens distintas e enfrentaram condições eleitorais próprias. Além disso, dividir recursos recebidos por votos conquistados não equivale a calcular o custo efetivo de cada voto, pois o valor declarado pode não ter sido integralmente gasto e pode incluir despesas de natureza diversa.

Ainda assim, a comparação oferece elementos para compreender como as votações se comportaram diante das estruturas financeiras informadas.

O resultado de 2026 deixa uma questão importante para a política de Marataízes: quais dessas lideranças conseguirão transformar o desempenho eleitoral em presença política duradoura?

Crescer nas urnas, manter uma base municipal, ampliar a atuação regional e construir alianças são desafios diferentes. A eleição oferece indicadores sobre cada um deles, mas não determina automaticamente os próximos capítulos.

Em Marataízes, os números de 2026 já ajudam a identificar quem ampliou sua presença eleitoral e quem precisará reavaliar sua trajetória. O próximo passo será observar como essas lideranças administrarão os resultados, as relações políticas e os espaços conquistados ou perdidos após as urnas.

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