Especialista Alerta: Estresse Tóxico Ameaça Desenvolvimento Infantil
Foto: Divulgação/Tribunal de Contas-ESDurante a Jornada Capixaba pela Primeira Infância, realizada no Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES), a médica pediatra Priscila Xavier destacou os sérios riscos do estresse tóxico para o desenvolvimento infantil. A especialista enfatizou a urgência de uma abordagem intersetorial para prevenir e lidar com as Experiências Adversas na Infância (ACEs).
Segundo a Dra. Priscila Xavier, crianças em tenra idade frequentemente manifestam sofrimento não verbalmente. Traumas podem ser expressos através de isolamento social, choro excessivo, regressões no desenvolvimento, ou alterações comportamentais e de sono. Para garantir a proteção integral assegurada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é fundamental que os municípios estabeleçam redes de apoio capazes de acolher as crianças sem reavivar o trauma.
Principais Riscos e Dados sobre Violência contra Crianças e Adolescentes
A violência contra crianças é um problema global. O UNICEF estima que 400 milhões de crianças sofrem violência doméstica em todo o mundo. No Brasil, dados apontam para um aumento expressivo nas denúncias de maus-tratos, com mais de 115 mil registros em um período recente, evidenciando um crescimento substancial nos casos relatados entre 2021 e 2025.
O estresse tóxico, resultante da exposição contínua a maus-tratos, negligência ou violência doméstica, mantém o corpo em estado de alerta elevado. Essa condição crônica pode levar ao desenvolvimento de doenças metabólicas, distúrbios imunológicos e problemas de saúde mental que persistem na vida adulta.
Experiências adversas significativas incluem abusos físicos e emocionais, negligência, problemas relacionados ao uso de substâncias por cuidadores e vulnerabilidades socioeconômicas e territoriais, como pobreza e discriminação.
Papel dos Setores na Rede de Proteção
Saúde: Essencial no acompanhamento preventivo, desde o pré-natal até consultas de rotina e vacinação. Este setor é crucial na identificação precoce de sinais de vulnerabilidade e na prestação de cuidados imediatos.
Educação: Promove a observação atenta no ambiente escolar. Educadores devem acolher, registrar e encaminhar qualquer revelação ou suspeita de violência, sem realizar interrogatórios, seguindo os fluxos de proteção estabelecidos.
Assistência Social (CRAS/CREAS): Trabalha no fortalecimento dos laços familiares, oferece suporte aos cuidadores e intervém em situações confirmadas de violação de direitos.
Conselho Tutelar e Sistema de Justiça: Responsáveis por garantir a aplicação de medidas protetivas, requisitar serviços públicos e conduzir a escuta especializada e o depoimento especial, visando evitar a revitimização da criança.
A pediatra ressaltou que a efetividade das políticas públicas está diretamente ligada ao aprimoramento técnico das equipes que atuam na linha de frente. A superação de preconceitos culturais que equiparam disciplina a punição é igualmente vital para o sucesso dessas ações.
Canais de Denúncia
Casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes devem ser reportados ao Conselho Tutelar local ou ao Disque 100 (Disque Direitos Humanos), um serviço confidencial e gratuito disponível 24 horas. Em situações de emergência ou risco imediato, é imperativo acionar as forças de segurança pública.



