Família cobra respostas cinco meses após denúncia envolvendo adolescente em Itapemirim

Caso foi registrado em abril na Delegacia da Mulher; família afirma que investigado teria descumprido medidas protetivas e aguarda perícia em computador apreendido
Há cinco meses, uma família que residia em Itaoca, balneário de Itapemirim, vive uma rotina marcada pelo medo e pela espera por respostas após uma denúncia envolvendo uma adolescente de 15 anos à época dos fatos.
Em abril de 2026, a mãe da adolescente procurou a Polícia Civil depois de descobrir, segundo seu relato, que o então companheiro, um técnico de enfermagem de 49 anos, com quem mantinha um relacionamento havia cerca de cinco anos, teria realizado e armazenado secretamente registros íntimos da filha.
Após a descoberta, a família registrou um boletim de ocorrência e entregou às autoridades um notebook que, segundo a mãe, poderia conter os arquivos. O equipamento foi apreendido e, conforme informado pela família, permanece em Vitória aguardando perícia técnica.
A mãe afirma ainda que apresentou às autoridades mensagens e áudios atribuídos ao investigado, nos quais ele teria reconhecido a realização das gravações. A autenticidade e o conteúdo desses materiais, no entanto, dependem da apuração oficial.
Família relata impactos psicológicos
Segundo a mãe, a descoberta provocou consequências emocionais na adolescente, que teria passado a apresentar crises de ansiedade e sintomas de pânico.
A jovem estaria realizando acompanhamento médico e utilizando medicamentos prescritos. A mãe também relata ter enfrentado problemas emocionais diante da situação e afirma que procurou o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) em busca de informações sobre o andamento do caso.
Para a família, a perícia no equipamento eletrônico é considerada uma das etapas importantes para o avanço da investigação.
“Não tem atualização porque o notebook ainda está em Vitória aguardando perícia técnica para começar a agilizar o processo. Tudo o que eu queria é que a Justiça fosse feita o mais rápido possível, para que nenhuma outra mãe passe por essa dor e ele não fique impune diante da sociedade”, afirmou a mãe.
Medidas protetivas foram determinadas pela Justiça
A 1ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes determinou medidas protetivas em favor da adolescente e de seus familiares, com fundamento na Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022) e na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).
Entre as determinações estão o afastamento do investigado do lar, a manutenção de distância mínima de 100 metros e a proibição de contato com a adolescente e seus familiares por qualquer meio de comunicação.
A família afirma, entretanto, que uma dessas determinações teria sido descumprida.
Segundo o relato da mãe, no aniversário da adolescente, o investigado teria enviado uma mensagem de felicitações acompanhada de uma transferência financeira via Pix. O valor, conforme informado pela família, teria sido recusado e devolvido pela adolescente.
O episódio teria sido comunicado às autoridades responsáveis pelo acompanhamento das medidas protetivas.
Mensagens e áudios foram apresentados às autoridades
A mãe também afirma que, antes da determinação das medidas protetivas, recebeu mensagens de texto e áudios atribuídos ao investigado.
Segundo o relato, nas comunicações ele teria admitido ter cometido um erro, mencionado supostos episódios de ciúmes e pedido que a situação não fosse divulgada a familiares ou outras pessoas.
Os materiais teriam sido apresentados às autoridades durante o andamento do caso.
A confirmação da autenticidade das mensagens e dos áudios, assim como a existência e o conteúdo de eventuais arquivos armazenados no notebook, dependem da investigação e da perícia oficial.
Polícia Civil confirma investigação
Procurada sobre o andamento do caso, a realização da perícia no equipamento eletrônico e a apuração do suposto descumprimento das medidas protetivas, a Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES) informou que o procedimento continua em andamento.
Em nota, a corporação declarou:
“A Polícia Civil informa que o caso segue sob investigação do Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam) de Itapemirim. Como se trata de crime contra a dignidade sexual e por envolver menor de idade, detalhes não serão divulgados, uma vez que o procedimento corre sob sigilo.”
A Polícia Civil não informou detalhes sobre a perícia do equipamento ou sobre eventuais diligências realizadas, em razão do sigilo da investigação.
Identidade da adolescente é preservada
Por envolver uma adolescente e uma investigação relacionada a possível crime contra a dignidade sexual, o Diário 028 não divulga informações que possam permitir a identificação da vítima.
O investigado permanece tratado como suspeito, e não houve, até o momento, condenação judicial relacionada aos fatos narrados nesta reportagem.
O espaço permanece aberto para manifestação da defesa do investigado.



