Família de Macacos Guigós Surge em Flagrante Raro na Serra das Torres
Foto: IemaUm evento de alta relevância para a conservação ambiental foi registrado na manhã de 21 de maio no Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast), localizado no sul do Espírito Santo. Pesquisadores em uma expedição de monitoramento de fauna documentaram, em um flagrante considerado excepcional, uma família completa de macacos guigós (Callicebus personatus), também conhecidos como sauás.
O momento capturado pelas lentes revelou um casal de primatas acompanhado de sua prole, composta por três filhotes. A observação foi realizada pela pesquisadora Paloma Santos, coordenadora do Projeto Preguiça, iniciativa do Instituto Tamanduá que tem se dedicado ao mapeamento da ocorrência da preguiça-de-coleira na região desde 2024, empregando drones térmicos de alta precisão.
Embora a espécie Callicebus personatus não seja considerada rara em termos biológicos na área, a visualização de um núcleo familiar completo é um acontecimento extremamente incomum. Isso se deve ao comportamento intrinsecamente recluso desses animais, que raramente se expõem à observação direta. Relatos de moradores locais frequentemente mencionam a audição de suas vocalizações características, mas a confirmação visual através de registros fotográficos ou videográficos inéditos até então.
A pesquisadora Paloma Santos ressaltou a singularidade do avistamento: "O registro é super raro por se tratar de um casal com três indivíduos de prole. Eles estavam despertando, tanto é que ainda dá para ver as caudas enroladas. Isso mostra a importância do Monast como um grande refúgio da vida silvestre e para a conservação da biodiversidade regional".
O macaco guigó, classificado como Vulnerável (VU) na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e dos órgãos ambientais do Espírito Santo, demonstra a fragilidade de sua situação.
Os grupos familiares desses primatas tendem a ser coesos e a se deslocar com grande discrição pelas copas das árvores na Mata Atlântica. Para Marcos Paulo Rodrigues Almeida, gestor do Monast, o sucesso deste flagrante corrobora a necessidade de investimento em novas metodologias para o monitoramento de fauna.
Almeida enfatizou: "Registros como esse demonstram a importância do monitoramento da fauna e do uso de tecnologias para a conservação da biodiversidade. Ferramentas como o drone térmico permitem identificar espécies de forma segura e com mínima interferência no ambiente natural. Essas informações são fundamentais para orientar estratégias de proteção dos habitats".



