Festival Celebra Cultura Ribeirinha e Saberes Ancestrais no Litoral Sul Capixaba
Foto: Divulgação/Casa Roxa Cultural Ponto de CulturaO festival Caminho das Águas, também conhecido como Foz do Itapemirim: Festival das Águas, celebrou a rica cultura ribeirinha, os conhecimentos tradicionais da pesca artesanal e a memória ancestral das comunidades do litoral sul capixaba. Realizado em Marataízes, nos dias 21 e 27 de outubro de 2026, na Escola de Tempo Integral do Pontal da Barra, o evento ofereceu uma programação gratuita focada na valorização da identidade territorial, das manifestações culturais populares e das experiências educativas intrinsecamente ligadas às comunidades pesqueiras.
A iniciativa proporcionou um espaço para atividades socioeducativas, oficinas, degustação gastronômica, apresentações literárias e audiovisuais, além de manifestações como capoeira e jongo, e intervenções musicais. O objetivo foi aproximar crianças, moradores e representantes da comunidade dos saberes transmitidos entre gerações, reforçando a conexão vital dos povos ribeirinhos com o rio, o mar e o meio ambiente, ao mesmo tempo em que se abordaram os desafios enfrentados por aqueles que vivem da pesca artesanal.
As atividades do dia 21 de outubro foram dedicadas a discussões socioeducativas aprofundadas. Temas como artesanato sustentável, as redes e tradições da pesca, políticas públicas e a significativa presença das mulheres na cultura pesqueira foram explorados por especialistas e membros da comunidade. A programação incluiu ainda debates sobre mudanças climáticas e a culinária local, buscando conectar o público, especialmente os mais jovens, aos conhecimentos tradicionais, à necessidade de preservação ambiental e à importância social, cultural e econômica da pesca artesanal. A proposta visou valorizar os saberes das famílias pesqueiras e reconhecer o papel fundamental de pescadores e marisqueiras na salvaguarda da identidade cultural do Pontal da Barra.
Em 27 de outubro, a programação cultural iniciou com um café de acolhimento e a roda de conversa O Futuro da Pesca Artesanal e os Saberes Ancestrais. Mediado por Juciane de Souza Nascimento, o encontro contou com a participação de Dária Oliveira, liderança comunitária e vice-presidente da associação de marisqueiras Maris Pesca. Ao longo do dia, o público teve acesso a:
Atividades de literatura.
Exibições audiovisuais.
Apresentação de capoeira com o grupo Guerreiros da Arte.
Prática de jongo com o Jongo Mestre Bento.
Intervenção musical.
Essas manifestações culturais e artísticas, que se estenderam até o final da tarde, realçaram a relevância da transmissão de tradições, narrativas populares e repertórios musicais enraizados nas comunidades ribeirinhas e afro-indígenas. O festival está associado à atuação do Ponto de Memória Foz do Itapemirim e da Casa Roxa Cultural — Ponto de Cultura, com o propósito de valorizar o patrimônio material e imaterial da região, que abrange marcos históricos como o Trapiche, o Palácio das Águias e a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, além das ricas histórias e tradições preservadas por pescadores, marisqueiras e suas famílias.
Além da promoção cultural, o projeto evidencia questões cruciais para a qualidade de vida dos habitantes do Pontal da Barra, incluindo saneamento básico, infraestrutura, preservação ambiental e a expansão de oportunidades de geração de renda. O incentivo ao empreendedorismo local e ao ecoturismo comunitário também integra a proposta, defendendo um desenvolvimento sustentável que respeite os direitos e as necessidades básicas dos moradores. Juciane de Souza Nascimento, proponente do projeto e matriarca da Casa Roxa Cultural, enfatiza que o reconhecimento da identidade ribeirinha passa pelo resgate da história dos antepassados e a valorização das raízes familiares e comunitárias. Ela destacou a necessidade de criar oportunidades de empreendedorismo, ecoturismo e desenvolvimento sustentável, alinhadas a melhorias na infraestrutura e no saneamento básico. Juciane ainda expressou o desejo de que a ponte do Pontal da Barra simbolize união e progresso, superando percepções de separação e preconceito. O festival busca promover uma reparação histórica, valorizando a memória da comunidade e chamando a atenção do poder público para as demandas da população ribeirinha.
O evento foi realizado com o apoio da Escola de Tempo Integral do Pontal da Barra, da Prefeitura de Marataízes e da Secretaria Municipal de Educação, contando também com a participação da associação Maris Pesca e da Colônia de Pescadores Z-8. O projeto foi contemplado pelo Edital nº 05/2024 — Patrimônio Vivo, do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), vinculado à Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES).
Ao articular escola, comunidade e manifestações culturais, o Caminho das Águas fortalece a memória coletiva como ferramenta para o exercício da cidadania, o reconhecimento identitário e a construção de um futuro promissor para as próximas gerações do Pontal da Barra.



