Iema remove quase 3 mil colônias de corais invasores em Guarapari
Foto: IemaO Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) intensificou as ações de combate à introdução de espécies marinhas invasoras nas ilhas de Guarapari. Até o dia 17 de abril, foram completadas 13 de 22 expedições previstas, resultando na extração de 2.952 colônias de corais das espécies Tubastrea tagusensis e Tubastrea coccinea. A iniciativa removeu um total de 66,7 quilos de material biológico que representa uma ameaça ao equilíbrio dos recifes de corais nativos da região.
A principal meta dessa força-tarefa é frear a disseminação desses corais exóticos, que se destacam pela sua capacidade de competir agressivamente por espaço. Ao dominarem os recifes, eles acabam por sufocar a vida marinha autóctone, provocando alterações significativas na biodiversidade local.
Metodologia Rigorosa para Proteção Ambiental
O trabalho subaquático é realizado sob protocolos rigorosos de biossegurança, seguindo padrões internacionais. O objetivo é assegurar que o próprio processo de remoção não contribua para a propagação da infestação. Até o momento, foram executadas 26 operações de mergulho, com uma estrutura operacional organizada para garantir a eficácia:
Trabalho em Duplas: Uma equipe é composta por dois mergulhadores. Um deles foca na extração física das colônias, enquanto o outro se dedica a isolar o material retirado em sacos de malha com trama de 50 micras.
Controle de Dispersão de Larvas: O isolamento imediato do material é uma etapa crítica para prevenir a liberação e dispersão de larvas, conhecidas como plânulas, que podem ser liberadas pelos corais sob estresse.
Registro Visual Detalhado: Todas as colônias removidas são fotografadas tanto antes quanto após a extração, auxiliando na catalogação e na análise do impacto do trabalho.
As colônias coletadas são acondicionadas em sacolas drenantes para transporte até a embarcação e, subsequentemente, transferidas para bombonas vedadas, garantindo a segurança durante o percurso terrestre.
Triagem e Análise Técnica Especializada
Após cada expedição, o material recolhido é encaminhado à sede do Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV). Lá, uma equipe técnica realiza uma triagem minuciosa, que inclui:
Identificação Precisa das Espécies: Distinção entre os diferentes tipos de corais-sol invasores.
Quantificação e Pesagem: Verificação do número de pólipos e do peso total do material coletado em cada mergulho.
Classificação por Tamanho: As colônias são categorizadas em diferentes classes de tamanho, desde a Classe A (até 1 cm) até a Classe F (acima de 15 cm).
Sandra Ribeiro, servidora do Iema, destaca a importância da estratégia: “A remoção estratégica de colônias em estágio inicial é fundamental para a detecção precoce e redução do potencial de expansão. Não basta retirar os maiores; o foco nas estruturas menores impede novas infestações”.
Sustentabilidade e Continuidade do Projeto
A viabilidade financeira desta operação é assegurada pela conversão de uma condicionante ambiental, conforme previsto no Termo de Compromisso de Compensação Ambiental (TCCA 001/2026). O projeto permanece em andamento, com o objetivo de garantir a proteção contínua dos ecossistemas marinhos do Espírito Santo contra uma das ameaças biológicas mais persistentes na costa brasileira.



