Empresa é acusada de golpe com plataforma que prometia lucro rápido
Foto: ReproduçãoEG Investment Group é apontada como central das denúncias de promessa de retornos acelerados e bloqueio de saques.
Um suposto esquema fraudulento, com a promessa de retorno financeiro acelerado, pode ter afetado um grande número de pessoas no Espírito Santo. Estimativas indicam que até 3 mil indivíduos teriam sofrido prejuízos, com relatos apontando para a operação de um modelo característico de pirâmide financeira.
A EG Investment Group é a empresa central das denúncias. Conforme o relato de supostas vítimas, a companhia oferecia a duplicação do valor investido em um curto período. A modalidade exigia aplicações iniciais a partir de mil dólares, equivalentes a pouco mais de cinco mil reais. Contudo, a situação teria se agravado com o bloqueio súbito das contas dos investidores e a subsequente impossibilidade de realizar saques.
A estratégia de captação de clientes incluía a atrativa promessa de dobrar o capital aplicado em um prazo de 30 dias. Um dos investidores, que optou por manter o anonimato, relatou ter sido convencido a investir junto a um amigo após conhecer a plataforma, que buscava transmitir uma imagem de solidez.
"Eles alugavam um espaço, eles faziam buffet, muita coisa atrativa. É uma cegueira. Era uma cegueira e pegava neles (que estavam na frente), e eles passavam para nós (que entramos depois)."
Outro participante do esquema também mencionou que a empresa promovia eventos e atividades com o objetivo de atrair novos membros.
Para compartilhar informações e organizar ações, as pessoas que se sentiram prejudicadas criaram grupos de comunicação. Um desses grupos congrega mais de 800 participantes, mas o número total de afetados no estado é estimado em até três mil.
A dinâmica descrita pelas vítimas sugere uma estrutura de pirâmide, onde o recrutamento de novos membros é essencial para a sustentação dos retornos. Esse modelo, quando esgota a entrada de novos participantes, tende a entrar em colapso, gerando perdas significativas para os últimos a ingressar.
Apesar das promessas de rentabilidade, os investidores relatam que o acesso aos seus fundos foi subitamente restringido. Os valores exibidos como rendimentos na plataforma tornaram-se inalcançáveis, com mensagens de erro bloqueando as tentativas de saque.
"Já vi algumas pessoas, que entraram no mesmo mês que eu, fevereiro, relatando que estavam com problemas no saque, mas os líderes informaram que seria uma questão de instabilidade de rede, então relevamos essa parte", relatou o investidor anônimo.
A situação se agravou no último domingo (29), quando o investidor foi comunicado sobre a impossibilidade de realizar novas análises ou resgatar os valores investidos.
As vítimas apontam para a participação de uma empresária local, conhecida como Tia Ruth, como representante da plataforma no estado. Vídeos e palestras organizadas por ela teriam sido utilizados para orientar novos investidores.
Em nota, a defesa da empresária declarou que ela não possui responsabilidade direta pela empresa. Segundo os advogados, ela teria conhecido a plataforma através de um amigo em Portugal, também investido e sofrido prejuízos. A defesa nega que o caso configure um esquema de pirâmide.
"Assim como todos os integrantes do marketing de multinível, ela promovia alguns eventos para amplificar informações e explicar para as pessoas como funcionava. Então, ela também, mas não somente ela, fazia palestras, convidava pessoas e, assim, movimentava o negócio", afirmou a defesa.
De acordo com os advogados, a empresária era vista como uma referência devido aos seus retornos financeiros, mas era considerada uma participante comum.
Um vídeo divulgado sobre o negócio menciona que a EG Investment Group não possui registro no Brasil, mas sim nos Estados Unidos, sendo legalizada e fiscalizada por aquele país.
Um dos jovens lesados relatou que alguns indivíduos chegaram a perder mais de cem mil reais em decorrência da confiança depositada no esquema. Ele mencionou que palestrantes teriam utilizado discursos religiosos para persuadir novos participantes, que acreditaram "cegamente que aquilo era certo".



