MPES Lança Iniciativa Contra Discriminação nas Escolas
Foto: MP-ESO Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) realizou um importante encontro nesta terça-feira (2), com o objetivo de fortalecer o enfrentamento ao racismo e à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero em instituições de ensino. O evento, que contou com a participação de mais de 300 profissionais da educação, incluindo professores, pedagogos, servidores municipais e membros do próprio MPES, foi sediado no Ginásio Municipal Rennan Alves Góes.
A coordenação geral da iniciativa ficou a cargo do Núcleo de Proteção aos Direitos Humanos (NPDH) e da Comissão de Direito à Diversidade Sexual e à Identidade de Gênero (CDDS), com o apoio do Comitê de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (CPIER) e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF).
Na abertura, o promotor de Justiça Gusthavo Ribeiro Bacellar, coordenador do NPDH, estabeleceu uma conexão entre a violência escolar e o impacto na saúde mental, citando um modelo bem-sucedido previamente implementado em Piúma, que envolveu a formação de equipes especializadas em saúde mental.
Bacellar ressaltou: "As questões de saúde mental, muitas vezes decorrentes do bullying, estão intrinsecamente ligadas a situações de racismo e discriminação no contexto escolar. Por isso, um dos nossos focos é aprimorar as práticas antirracistas e antidiscriminatórias nas escolas, capacitando e apoiando os profissionais que promovem o respeito e a inclusão."
O promotor de Justiça de Itapemirim, Richard Santos de Barros, que sediou o evento, descreveu a iniciativa como um divisor de águas para a capacitação dos educadores locais.
A programação técnica foi estruturada em três painéis ministrados por especialistas do MPES:
Gênero e Sexualidade: Conduzido pelo promotor de Justiça Franklin Gustavo Botelho Pereira, o painel desmistificou conceitos fundamentais e apresentou diretrizes para o respeito à diversidade biológica e de identidade de gênero.
Racismo Estrutural: O promotor de Justiça Wagner Eduardo Vasconcellos abordou as raízes históricas da discriminação no Brasil e os mecanismos institucionais disponíveis para o seu combate.
Protocolos de Acolhimento: As servidoras do NPDH, a psicóloga Alice Emília da Silveira e a assistente social Kátia Cristini Kaiser, propuseram a criação de fluxos de atendimento integrados para a rede municipal de apoio.
Ao final do encontro, foi enfatizado que as escolas não devem atuar isoladamente na resolução de violações de direitos. A assistente social Kátia Cristini Kaiser explicou que a simples transferência de demandas para outros órgãos é ineficiente, defendendo, em contrapartida, a articulação com a rede de proteção, que inclui o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e a rede de saúde municipal.
A psicóloga Alice Emília da Silveira encerrou o evento com uma citação sobre a importância da colaboração: "Se você quiser chegar mais rápido, vá sozinho. Se quiser ir mais longe, vá acompanhado. Por isso, reforçamos a importância de o município construir protocolos de atuação nas escolas em articulação com a Assistência Social e os demais serviços."



