Novas Armas Contra o Câncer: Anvisa Aprova Medicamentos Inovadores
Foto: Magnific/ AnvisaA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação de dois novos medicamentos com potencial para transformar o tratamento de pacientes oncológicos. As novas terapias foram registradas e publicadas no Diário Oficial da União, ampliando o arsenal disponível para combater o câncer de pulmão e o de mama.
O registro de um dos medicamentos, denominado Emrelis (telisotuzumabe vedotina), é voltado para o combate do câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) em estágio avançado. A indicação específica é para pacientes adultos com a forma não escamosa da doença, localmente avançada ou metastática, que apresentem expressão elevada da proteína c-Met e um genótipo EGFR do tipo selvagem. Essa terapia é destinada a indivíduos que já passaram por tratamentos sistêmicos prévios.
O mecanismo de ação do Emrelis consiste na ligação seletiva à proteína c-Met, encontrada na superfície das células tumorais. Ao internalizar o complexo formado, o medicamento libera uma substância citotóxica que visa destruir as células cancerígenas. A aprovação baseou-se em um estudo clínico de fase 2, o LUMINOSITY, que demonstrou taxas de resposta objetiva significativas, especialmente entre pacientes com alta expressão de c-Met.
O câncer de pulmão de células não pequenas representa a maioria dos casos da doença, e o subtipo não escamoso é particularmente prevalente. Em estágios avançados, a doença pode se disseminar, tornando a escolha terapêutica crucial e dependente de fatores como o estágio tumoral e características moleculares específicas.
Paralelamente, a Anvisa aprovou o registro do Poherdy (pertuzumabe), um medicamento destinado ao tratamento de câncer de mama HER2-positivo. A aprovação abrange tanto o cenário metastático quanto o estágio inicial da doença.
Para pacientes com câncer de mama metastático ou localmente recorrente, o Poherdy será administrado em combinação com trastuzumabe e docetaxel. Essa indicação é direcionada a indivíduos que ainda não iniciaram tratamento com agentes anti-HER2 ou quimioterapia para a doença em fase de metástase.
No tratamento do câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial, o Poherdy também poderá ser utilizado em conjunto com trastuzumabe e quimioterapia. Essa abordagem terapêutica contempla:
Tratamento neoadjuvante: administrado antes da cirurgia, em casos de doença localmente avançada, inflamatória ou com alto risco de recidiva em estágio inicial, como tumores com mais de 2 centímetros ou acometimento linfonodal.
Tratamento adjuvante: administrado após a cirurgia, visando reduzir o risco de recorrência em pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial.
A definição do esquema terapêutico ideal deve ser cuidadosamente avaliada por profissionais de saúde, considerando as particularidades de cada caso e as características da doença. A autorização de registro pela Anvisa permite a comercialização dos medicamentos, mas a disponibilidade em unidades de saúde e a incorporação a protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS) dependerão de processos regulatórios subsequentes.



