Policial Civil Dispara e Mata Cão em Cachoeiro de Itapemirim Após Perseguição
Foto: Arquivo pessoalUm incidente envolvendo um disparo de arma de fogo resultou na morte de um cachorro em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, na última quarta-feira (1º). O fato ocorreu no bairro Rui Pinto Bandeira.
A Polícia Militar foi acionada pelo próprio policial civil, lotado no Rio de Janeiro, que relatou ter efetuado o disparo após o animal ter avançado contra sua motocicleta, onde também estava sua esposa. A intenção seria conter uma suposta agressão.
Segundo relatos de uma testemunha que se identificou como tutor do animal, o motociclista teria tentado afastar o cachorro com chutes antes do disparo. A testemunha descreveu o comportamento do cão como um costume de correr atrás de veículos e pessoas, mas caracterizou a ação como uma brincadeira.
As investigações resultaram na apreensão da arma de fogo do policial civil, dois carregadores e 25 munições. O agente, de 37 anos, foi ouvido na delegacia e liberado, pois a autoridade policial não identificou elementos que fundamentassem a prisão em flagrante.
Versão da Tutora
Rosimere Lira, tutora do cão Zeus, afirmou que o animal tinha o hábito de se aproximar de motocicletas e pular nas pessoas de forma brincalhona, o que poderia ser mal interpretado como uma investida. Ela negou que o cachorro tenha tentado atacar o casal e relatou que o incidente ocorreu próximo a crianças, que ficaram abaladas. A tutora destacou o profundo impacto emocional da morte de Zeus, que convivia com a família há sete anos, na dinâmica familiar, especialmente para o filho mais novo. O relato inicial registrado pela Polícia Militar foi feito pelo marido de Rosimere.
Posicionamento do Policial Civil
O policial civil sustentou que o cão tentou atacá-lo e que, ao tentar se afastar em sua motocicleta, agiu em legítima defesa e para proteger sua esposa, amparado pelo que chamou de estado de necessidade. O agente declarou que seu objetivo não era matar o animal e que o tiro foi direcionado ao chão, visando não colocar terceiros em risco. Ele também informou que o disparo ocorreu longe de qualquer criança e que foi ele quem solicitou o acionamento da Polícia Militar após o ocorrido. O policial optou por não se identificar.
Acompanhamento da OAB
A Comissão de Proteção Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Cachoeiro de Itapemirim declarou que está acompanhando o caso. A entidade ressaltou que a morte violenta de um animal não deve ser tratada de forma superficial e que o uso de arma de fogo em via pública levanta questões sobre a segurança coletiva, além da causa animal. A OAB enfatizou que seu papel é garantir a investigação completa dos fatos, apurando a existência de risco real e imediato, a proporcionalidade da conduta, as circunstâncias do disparo e as testemunhas presentes. A Comissão reiterou que a legislação brasileira prevê a proteção aos animais e que qualquer justificativa para o ato deve ser avaliada com base em provas concretas. A OAB de Cachoeiro de Itapemirim se comprometeu a assegurar que o caso receba a devida atenção e não seja esquecido ou minimizado.



