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Política

Secretária vai a júri por tentativa de homicídio e desvio de R$ 544 mil contra cardiologista

Redação 22/10/2026
Secretária vai a júri por tentativa de homicídio e desvio de R$ 544 mil contra cardiologistaFoto: Divulgação/Ministério Público-ES

O Tribunal do Júri de Vitória prepara-se para julgar, na próxima segunda-feira (26 de outubro), Bruna Garcia Barbosa Marinho. Ela é acusada de tentar assassinar um médico cardiologista através de envenenamento com arsênio. A sessão ocorrerá no Fórum Criminal da capital, conforme divulgado pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).

A acusação formalizada é de tentativa de homicídio qualificado. As alegações apontam que o crime teria sido motivado por interesses escusos, utilizando veneno e um método que dificultou a defesa da vítima. A denúncia também considera o agravante de ser contra uma pessoa idosa e a possibilidade de ocultação de outro delito.

As investigações sugerem um cenário de envenenamento que se prolongou por um período e a ocorrência de desvios financeiros no consultório da vítima. O corpo de jurados terá a incumbência de analisar os elementos e determinar a responsabilidade criminal da denunciada.

O MPES confirmou que atuará ativamente no processo, visando a responsabilização da acusada dentro dos preceitos legais e em observância aos direitos de todas as partes envolvidas.

Envolvimento em Desvio Financeiro

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Bruna atuava como secretária no consultório do cardiologista desde 2013, sendo responsável pela gestão financeira da clínica. A acusação sustenta que ela teria se apropriado de recursos financeiros em benefício próprio, com um desvio estimado em aproximadamente R$ 544 mil, distribuídos ao longo de 12 anos.

A denúncia indica que, à medida que os desvios financeiros se aproximavam da descoberta, a ré teria iniciado a administração de arsênio, substância altamente tóxica, na alimentação e bebidas oferecidas no ambiente de trabalho. A linha de investigação aponta que o envenenamento visava a morte do médico, servindo como meio para desviar a atenção das irregularidades financeiras.

Agravamento do Estado de Saúde do Médico

Conforme detalhado pelo MPES, o cardiologista começou a apresentar problemas de saúde recorrentes paralelamente ao surgimento de suspeitas sobre movimentações financeiras incomuns em sua conta bancária. Os sintomas relatados incluíam dores abdominais severas, anemia, fraqueza, exacerbação de manifestações da doença de Parkinson e episódios de vômito com sangue.

Tais complicações teriam afetado significativamente a saúde do médico, levando-o a interromper as atividades de seu consultório, que operava há mais de três décadas.

Evidências Materiais e Periciais

O avanço da investigação foi impulsionado pela descoberta de um frasco contendo arsênio em uma área de depósito da clínica. O Ministério Público informou que o produto teria sido adquirido em nome do cônjuge de Bruna. Ademais, análises toxicológicas posteriores teriam confirmado a intoxicação contínua do médico por arsênio, estendendo-se por um período mínimo de 15 meses.

Estes indícios foram determinantes para o progresso das apurações e para a prisão da acusada, que ocorreu em outubro de 2025.

Decisão do Tribunal do Júri

O julgamento agendado para a próxima segunda-feira representa um marco crucial no processo criminal. A responsabilidade de analisar as provas e os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa recai sobre o Tribunal do Júri, que emitirá o veredito final.

É importante ressaltar que, até a decisão judicial, as acusações devem ser tratadas como alegações do Ministério Público, e a realização do júri não implica em condenação prévia.

O caso suscita atenção pela gravidade das suspeitas, que englobam o suposto envenenamento prolongado de um indivíduo idoso e alegados desvios financeiros no âmbito profissional da vítima.

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