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Sete Décadas de Africanização: O Legado Transformador das Abelhas no Brasil

Redação 17/05/2026
Sete Décadas de Africanização: O Legado Transformador das Abelhas no BrasilFoto: Eugênia Ribeiro

Em 2026, o Brasil celebra 70 anos de um processo singular: a africanização da espécie Apis mellifera. Um livro digital lançado pela Embrapa Meio-Norte narra essa trajetória, demonstrando como o país converteu um desafio biológico em um pilar da apicultura nacional e internacional.

A obra revisita o início dessa história em 1956, quando o geneticista Warwick Estevan Kerr introduziu rainhas da subespécie africana Apis mellifera scutellata no país. O intuito era combinar a elevada produção das abelhas africanas com a mansidão das linhagens europeias até então existentes.

Um incidente em 1957, em Rio Claro (SP), marcou um ponto de virada. A remoção acidental de barreiras de proteção permitiu que colônias africanas se dispersassem, iniciando um processo de hibridização natural em larga escala.

Os primeiros anos após essa liberação foram de grande apreensão. O comportamento mais agressivo dos insetos gerou temor na população, culminando em um período de desamparo para apicultores que não estavam preparados para lidar com as novas colônias. A imprensa internacional chegou a cunhar o termo 'abelhas assassinas'.

Paradoxalmente, essa fase de instabilidade impulsionou a pesquisa científica brasileira. Desenvolveram-se técnicas de manejo mais seguras, como o uso de vestimentas de proteção mais robustas e equipamentos eficientes. A hibridização, por sua vez, resultou em colônias com maior resiliência biológica, resistência a doenças e notável capacidade de adaptação ao ambiente brasileiro.

A evolução da produção de mel é expressiva:

  • Produção anual na década de 1950: aproximadamente 5 mil toneladas.

  • Produção anual em 2024: cerca de 67,3 mil toneladas.

O impacto econômico transcende as fronteiras nacionais. Em 2025, as exportações de mel brasileiro alcançaram uma receita de US$ 116,5 milhões.

Apesar dos êxitos, a publicação ressalta desafios que permanecem sob estudo. O temperamento defensivo, a tendência à enxameação e a concorrência por recursos com abelhas nativas sem ferrão ainda demandam pesquisa contínua.

Os pesquisadores enfatizam, contudo, a indispensabilidade dessas abelhas para os serviços ecossistêmicos. O valor econômico gerado pela polinização agrícola é estimado em até 48 vezes superior à receita da venda de mel e seus derivados.

O livro também foca em discussões futuras, como o aprimoramento genético, o futuro da apicultura migratória e a necessidade de políticas públicas que promovam a segurança no campo e a proteção ambiental.

A obra é voltada a um público diversificado, incluindo pesquisadores, extensionistas rurais, apicultores e gestores públicos. O conteúdo completo está disponível para consulta no portal de publicações da Embrapa.

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