STF Divulga Pagamentos Milionários a Escritório Ligado à Esposa de Ministro
Foto: André Borges/EFE/Gazeta do PovoDocumentos sigilosos, agora tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), detalham um contrato de consultoria e defesa jurídica com pagamentos expressivos firmados entre um escritório de advocacia e o Banco Master, instituição financeira que teve sua liquidação extrajudicial decretada.
O acordo, com valor original de R$ 131 milhões, foi estabelecido em janeiro de 2024, prevendo 36 parcelas mensais de R$ 3,64 milhões. O escritório em questão é o da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A contratação visava a prestação de serviços de consultoria estratégica e jurídica, abrangendo investigações policiais, procedimentos administrativos e processos judiciais em diversas instâncias, além do aprimoramento de programas de compliance.
A liberação do conteúdo na íntegra ocorreu na noite de quinta-feira (10), após determinação do ministro André Mendonça, a pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Investigações sobre Prioridade de Pagamentos:
Relatórios da Polícia Federal indicam que o contrato recebia atenção prioritária por parte do controlador do banco, Daniel Vorcaro. Mensagens interceptadas pela corporação mostram Vorcaro instruindo funcionários a garantir o pagamento, mesmo que sem a emissão de notas fiscais.
Até a interrupção das transações, o escritório havia recebido 22 parcelas, totalizando R$ 80,2 milhões, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os repasses cessaram após a intervenção do Banco Central e a prisão de Vorcaro.
Edição de Documento e Segundo Contrato:
A Polícia Federal também identificou a presença do ministro Alexandre de Moraes nos metadados de uma versão digital do contrato. O escritório Barci de Moraes confirmou a consulta ao ministro, justificando que o objetivo era verificar a existência de impedimentos legais para a formalização do acordo.
Em nota, a banca afirmou:
Que não havia previsão de atuação no STF.
Que não existia nenhum impedimento legal.
Que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou causas envolvendo o Banco Master.
Que o contrato foi assinado e os serviços devidamente prestados.
Os autos do processo também contêm a minuta de um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, envolvendo a Viking Participações Ltda., empresa associada a Daniel Vorcaro. Segundo o escritório de advocacia, esta segunda proposta não foi aceita nem assinada.



