Vitória Inédita: Espírito Santo Zera Óbitos por VSR em Crianças
Foto: Governo-ES/DivulgaçãoO Espírito Santo alcançou um marco histórico na saúde pública ao registrar zero óbitos por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em crianças de até 4 anos de idade. Este resultado expressivo, referente ao período de janeiro até a primeira quinzena de maio de 2026 (semana epidemiológica 19), reflete o sucesso de uma abordagem multifacetada de imunização.
Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) indicam, além da eliminação de mortes nesta faixa etária, uma redução de quase 25% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo VSR em comparação com o mesmo intervalo de 2025. Entre janeiro e maio de 2026, foram 181 ocorrências, contrastando com os 241 casos e 3 óbitos registrados no mesmo período do ano anterior. Em 2024, o cenário foi ainda mais desafiador, com 647 casos e 8 mortes.
A virada na proteção infantil contra o VSR teve início em dezembro de 2025, com a inclusão da vacina para gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao receberem a imunização a partir da 28ª semana de gestação, as mães transmitem anticorpos ao feto, conferindo proteção desde os primeiros meses de vida.
Complementando esta ação, em fevereiro de 2026, a Secretaria da Saúde (Sesa) implementou o uso do anticorpo monoclonal Nirsevimabe. Este medicamento é destinado a grupos de alto risco, incluindo:
Bebês prematuros, com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias;
Crianças com até 24 meses que apresentem comorbidades específicas, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.
Danielle Grillo, referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI) da Sesa, destacou o impacto direto da estratégia combinada: "Verificamos que a estratégia combinada de proteção traz um impacto direto nos desfechos de óbitos. Acreditamos que, em relação aos casos, teremos um impacto ainda mais positivo a partir da próxima sazonalidade da doença".
Até abril de 2026, a cobertura vacinal em gestantes atingiu 93,14%, com mais de 16 mil doses aplicadas, superando a meta de 80%. Adicionalmente, 2.515 doses do Nirsevimabe foram administradas no público infantil elegível.
Embora o VSR seja um dos principais causadores de bronquiolite e infecções respiratórias em recém-nascidos, e o cenário entre os mais jovens seja promissor, o vírus continua a circular em outras faixas etárias. O único óbito registrado por VSR em 2026 ocorreu em um adulto entre 18 e 59 anos.
A Sesa ressalta, contudo, que a vigilância não deve ser relaxada. O Informe Epidemiológico da Vigilância de Vírus Respiratórios aponta um aumento de casos de SRAG causados pelo VSR em adultos com comorbidades e, notavelmente, em idosos.
A médica pediatra Mariana Ribeiro Macedo, do PEI, explicou a gravidade do vírus em diferentes perfis: "Nos últimos anos, o VSR se destacou como causa relevante de complicações em idosos. As crianças sintomáticas desempenham papel central na transmissão comunitária, por isso as medidas de prevenção não farmacológicas continuam sendo essenciais". Ela também enfatizou a importância da vacinação contra a Influenza, disponível no SUS, devido à semelhança sintomática com outras infecções respiratórias.
Medidas preventivas fundamentais incluem:
Higienização frequente das mãos;
Prática da etiqueta respiratória, cobrindo a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
Evitar aglomerações e locais fechados em períodos de alta circulação viral;
Isolamento de indivíduos com sintomas gripais.
Em contrapartida à redução do VSR em crianças, a Influenza tem sido uma preocupação crescente para as autoridades capixabas. Dos 61 óbitos por SRAG registrados no estado em 2026, 15 (24,5%) foram causados pela Influenza. De forma alarmante, entre as semanas epidemiológicas 15 e 18, todas as mortes confirmadas por vírus respiratórios foram atribuídas exclusivamente à Influenza, com 10 óbitos em idosos (66,6%).
A campanha de vacinação contra a Influenza, iniciada em março, enfrenta baixas coberturas, distantes da meta de 90% para grupos prioritários. Dados do Sistema Vacina e Confia (VeC) revelam a baixa adesão:
Gestantes: 50,78%;
Idosos (60 anos ou mais): 37,51%;
Público infantil: 32,64%.
A Sesa reitera o chamado à população, especialmente pais, responsáveis e idosos, para que compareçam aos postos de saúde e atualizem seus calendários de vacinação, visando frear o avanço da Influenza no Espírito Santo.



