Acordo Mercosul-UE Impulsiona Agronegócio Capixaba com Projeções de Crescimento para 2026

A ratificação do acordo entre Mercosul e a União Europeia, prevista para 2026, representa um divisor de águas para o agronegócio do Espírito Santo. Produtos-chave do estado ganham novo fôlego no cenário internacional, com projeções de aumento significativo na competitividade.
As cadeias produtivas de café solúvel, mamão, mel proveniente da agricultura familiar e pimenta-do-reino emergem como os principais impulsionadores desse crescimento. A redução progressiva de tarifas, a ampliação do acesso ao mercado europeu e a adequação a normas de rastreabilidade e sustentabilidade posicionam esses itens em um patamar de vantagem.
Segundo o Secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o acordo é de suma importância para o Brasil e, em particular, para o Espírito Santo. "Diversas tarifas serão zeradas em um período de quatro anos, criando um cenário de grandes oportunidades. Estamos prontos para aproveitá-las", afirmou.
O setor agropecuário capixaba demonstra resiliência e força. Em 2025, o agronegócio do estado alcançou o segundo melhor resultado histórico em exportações, totalizando US$ 3,2 bilhões (aproximadamente R$ 16,6 bilhões). Este desempenho ficou ligeiramente abaixo do recorde de 2024, quando as exportações atingiram US$ 3,6 bilhões (R$ 18,8 bilhões), um resultado influenciado pela antecipação de compras, especialmente de café, no ano anterior. Essa dinâmica abre espaço para uma reorganização estratégica das vendas e a definição de novas abordagens comerciais para 2026.
Setores em Destaque
Café Solúvel: Apontado como um dos produtos com maior potencial de expansão em 2026. Após uma retração em 2025, a expectativa é de que o acordo Mercosul-UE redirecione fluxos de exportação, antes concentrados na América do Norte, para a Europa. Essa mudança, aliada à progressiva eliminação de tarifas, tende a gerar maior valor agregado.
Mel: Especialmente o produzido pela agricultura familiar, também se apresenta como uma oportunidade promissora, impulsionado pela forte demanda do mercado europeu e pela gradual supressão de barreiras comerciais decorrente do acordo.
Mamão: Chega a 2026 em posição fortalecida. Em 2025, o volume exportado do fruto registrou um aumento expressivo de 27%, mesmo diante de uma queda de 9% nos preços, indicando maturidade da cadeia produtiva e potencial para ganhos de escala.
Pimenta-do-reino: Consolida seu desempenho consistente, tendo vivido o melhor ano de sua história em 2025, com US$ 347 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) em exportações. O produto demonstra baixa dependência do mercado norte-americano e forte inserção indireta no mercado europeu, cenário que se fortalece com o acordo.
Em contrapartida, o setor de pescado enfrenta um desafio considerável. Fortemente dependente do mercado dos Estados Unidos, o segmento sofreu uma acentuada queda no segundo semestre de 2025, operando atualmente com cerca de 30% de seu volume habitual. A reestruturação produtiva é a estratégia central para 2026. Para capitalizar os benefícios do acordo Mercosul-UE e acessar novos mercados na Europa e Ásia, o setor precisa priorizar a adequação às exigências sanitárias e ambientais. A previsão de retomada mais consistente para o pescado é para o segundo semestre do próximo ano.



