Bebê Morre Após Chegar Ferido a Hospital; Pai Preso por Tortura
Foto: Reprodução/Prefeitura de AracruzUm bebê de 1 ano e 11 meses deu entrada em estado grave no Pronto Atendimento de Jacupemba, distrito de Aracruz, no Espírito Santo, apresentando sinais de agressão. Infelizmente, a criança faleceu durante os procedimentos de reanimação no último domingo (5). A polícia efetuou a prisão do pai, Admilson de Jesus Agapito, de 42 anos, sob a suspeita de envolvimento em tortura seguida de morte.
De acordo com o relato da mãe, Giovana Nicanor Izidório, o companheiro frequentemente demonstrava irritação com o choro da filha e a agredia. Ao chegar à unidade de saúde, Eloara Izidório de Jesus apresentava quadro clínico crítico, com pouquíssimos sinais vitais, conforme informado pela equipe médica à Polícia Militar.
Profissionais de saúde constataram a presença de lesões visíveis no pescoço, rosto e cabeça da criança, que não condiziam com ferimentos recentes. Adicionalmente, foram observadas lesões na região genital, cuja origem não pôde ser determinada no momento.
O laudo médico aponta choque hemorrágico por lesão hepática contusa como causa da morte, informação confirmada pelo delegado responsável pelo caso.
Declarações Divergentes
No hospital, o pai da criança declarou aos policiais que a menina chegou desfalecida em seus braços trazida por um sobrinho, que teria pedido socorro. Ele afirmou ter acionado familiares para providenciar o transporte até a unidade de saúde.
A mãe, Giovana Nicanor Isidório, foi detida na residência da família e relatou à polícia que o marido açoitava Eloara com regularidade. Ela descreveu que as agressões ocorriam desde o sábado anterior, após a criança ter solicitado comida ao pai, o que teria gerado sua fúria. A mãe também mencionou que o pai consumia álcool e que ela tentava proteger a filha, mas também era vítima de agressões por parte do marido.
Andamento da Investigação
Admilson de Jesus Agapito foi autuado em flagrante por tortura com resultado morte contra criança e conduzido ao sistema prisional de Aracruz. A mãe da criança foi ouvida na delegacia e liberada.
O delegado Ricardo Barbosa, titular da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Aracruz, informou que a investigação segue em andamento para apurar a possível participação de terceiros, seja de forma direta ou por omissão. Ele explicou que o pai negou as acusações, atribuindo o relato da mãe a desentendimentos familiares, mas ressaltou que a apuração buscará evidências de envolvimento de outros indivíduos, o que poderá alterar o enquadramento penal.
O corpo da criança foi encaminhado para a Seção Regional de Medicina Legal (SML) em Linhares para necropsia e posterior liberação aos familiares. Eloara, que nasceu na Bahia, residia em Aracruz há cerca de quatro meses. Seu sepultamento ocorrerá em sua cidade natal.



