Casagrande anuncia renúncia para disputar o Senado; Ricardo Ferraço assume governo do ES e acelera sucessão política
Foto: Helio Filho/ Governo do ESO governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), confirmou nesta segunda-feira (2) que renunciará ao cargo ainda em março para disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão, embora esperada nos bastidores, coloca o tabuleiro político estadual em nova fase de definição, com consequências imediatas na sucessão ao governo.
Em pronunciamento no Palácio Anchieta, Casagrande informou que deixará o cargo até o início de abril, em conformidade com a legislação eleitoral, que exige a descompatibilização de gestores públicos seis meses antes do primeiro turno. A antecipação do ato busca dar tempo de transição e garantir a continuidade administrativa durante o processo eleitoral.
Ao anunciar sua saída, Casagrande destacou a importância da escolha de seu sucessor: o vice-governador Ricardo Ferraço. A transição formal de comando coloca Ferraço no centro das atenções como candidato natural do campo situacionista à corrida pelo Palácio Anchieta.
Trajetória e protagonismo de Ricardo Ferraço
Ricardo Ferraço não é um nome acidental na política capixaba. Vereador, deputado estadual, deputado federal, senador da República, duas vezes vice-governador e titular de pasta em diversas ocasiões, Ferraço tem trajetória longa e articulada. Essa experiência institucional e legislativa, combinada com sua atuação recente no governo, confere a ele condição de liderança estruturada para enfrentar uma disputa majoritária.
Além disso, sua base política tradicional — reforçada pela longa carreira de Theodorico Ferraço, hoje em seu 17º mandato consecutivo — reforça a leitura de construção de longo prazo, planejamento e capacidade de articulação em diferentes arenas políticas.
A transição governamental também oferece a Ricardo a vantagem de ocupar o cargo de governador em plena pré-campanha, ampliando sua visibilidade institucional e capacidade de diálogo com prefeitos e lideranças regionais.
Corrida ao Senado: um quadro em expansão
A decisão de Casagrande de disputar o Senado mexe diretamente com o cenário de cadeiras em disputa no Congresso. Atualmente, dos três senadores capixabas, apenas Magno Malta acumula mandato até 2031. As outras duas vagas estarão em jogo em 2026, e o leque de nomes cotados já é extenso e representativo:
Euclério Sampaio (MDB)
Wellington Callegari (DC)
Maguinha Malta (PL)
Leonardo Monjardim (NOVO)
Serginho Menegueli (PSD)
Renato Casagrande (PSB)
O quadro já reflete um leque diversificado, com representantes de partidos variados, mostrando que o pleito pelo Senado não será apenas complemento da disputa pelo Governo do Estado, mas um campo de confronto de alianças, segmentos eleitorais e lideranças regionais.
Impacto eleitoral e definição do quadro sucessório
Com a renúncia de Casagrande, Ricardo Ferraço acelera seu processo de projeção para 2026. Assumir o governo antes da campanha oficial não garante vitória, mas amplia claramente sua capacidade de articulação, contato com prefeitos, apresentação de projetos e interlocução com diferentes setores — elementos que reforçam sua competitividade.
Ao mesmo tempo, a antecipação do cenário eleitoral e a movimentação dos nomes ao Senado impactam diretamente a dinâmica da sucessão estadual. Uma definição mais rápida de alianças e posicionamentos partidários tende a estimular reações de outras lideranças, ampliando a fluidez do jogo político.
Eleições em construção: articulações aceleram definição do mapa político
A eleição de 2026 no Espírito Santo está longe de estar definida, mas os movimentos recentes indicam que o processo já saiu da fase de especulação. A transição de Casagrande para o Senado e a consequente ascensão de Ricardo Ferraço ao Palácio Anchieta colocam o grupo governista em posição de protagonismo — ao mesmo tempo em que estimulam ajustes, realinhamentos e negociações entre os setores de oposição.
Com alianças, definição de palanques e negociações partidárias a caminho, o quadro sucessório começa a clarear de forma mais consistente, sinalizando que o tabuleiro político capixaba entrará em 2026 com peças firmemente posicionadas e estratégias em plena execução.



