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Tecnologia

Diplomas na era da IA: quem realmente está aprendendo?

Janaina Dardengo 09/03/2026
Diplomas na era da IA: quem realmente está aprendendo?Foto: IA

A inteligência artificial entrou definitivamente na sala de aula. Em poucos anos, ferramentas capazes de produzir textos, resolver problemas complexos, programar sistemas ou analisar dados passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes e professores. A promessa é sedutora: aprendizado personalizado, apoio à pesquisa, automação de tarefas e acesso instantâneo ao conhecimento. O problema não está na tecnologia. O problema está no modo como ela está sendo utilizada.

Uma pesquisa conduzida pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), revelou que 71% dos estudantes já utilizam ferramentas de inteligência artificial em sua rotina de estudos. Isso significa que, em grande parte das instituições, a IA já se tornou uma presença cotidiana no processo de aprendizagem. Ao mesmo tempo, começam a surgir sinais de alerta entre educadores.

Um levantamento nacional realizado pela American Association of Colleges and Universities (AAC&U) que ouviu 1.057 professores universitários, mostrou que 95% dos docentes acreditam que os estudantes estão se tornando excessivamente dependentes da inteligência artificial, enquanto 90% afirmam que essa dependência tende a reduzir a capacidade de pensamento crítico. Outro conjunto de pesquisas educacionais aponta que o uso frequente dessas ferramentas pode produzir uma espécie de “atalho cognitivo”: estudantes passam a aceitar respostas prontas sem examinar os processos que levariam àquela conclusão.

O fenômeno não é apenas percebido por professores. Uma pesquisa conduzida pela Oxford University Press com cerca de 2.000 estudantes do ensino médio no Reino Unido mostrou que 62% dos próprios alunos acreditam que o uso excessivo de IA pode prejudicar o desenvolvimento de suas habilidades de aprendizagem. Em outras palavras, a tecnologia que poderia ampliar a inteligência humana corre o risco de produzir uma geração que terceiriza o próprio pensamento.

Há uma analogia simples que ajuda a compreender esse momento histórico. A inteligência artificial é para o cérebro o que a calculadora foi para a matemática. Quando utilizada corretamente, ela amplia a capacidade humana. Quando utilizada como substituta do raciocínio, ela reduz o aprendizado. Durante décadas, a escola ensinou matemática antes de permitir o uso da calculadora. Primeiro o estudante precisava compreender o raciocínio. Depois, a tecnologia poderia acelerar o processo. COM A IA ESTAMOS FAZENDO O CONTRÁRIO: ENTREGAMOS A CALCULADORA ANTES DE ENSINAR MATEMÁTICA.

Não se trata de proibir — mas de governar

A discussão central não é impedir o uso da inteligência artificial na educação. Essa batalha já está perdida — e talvez nem devesse ser travada. O verdadeiro desafio é estabelecer governança, propósito pedagógico e responsabilidade institucional e algumas áreas já começaram a estruturar esse caminho.

Na medicina brasileira, por exemplo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou recentemente normas para orientar o uso da inteligência artificial em atividades clínicas. O princípio central dessas diretrizes é claro: a tecnologia pode apoiar diagnósticos e processos assistenciais, mas a responsabilidade final continua sendo do médico. Esse modelo oferece um sinal importante para outras áreas do conhecimento: a inteligência artificial deve ampliar a capacidade profissional, não substituí-la.

Há exemplos consistentes de uso responsável da inteligência artificial no mundo do trabalho. Na saúde, por exemplo, surgem soluções voltadas a reduzir tarefas burocráticas e liberar tempo para atividades que exigem julgamento humano. Sistemas baseados em IA já são capazes de registrar automaticamente informações da consulta enquanto o médico conversa com o paciente, organizando o prontuário eletrônico e estruturando dados clínicos.

Projetos como o IEDA Saúde – Inteligência Especializada de Dados em Saúde caminham nessa direção. A tecnologia se concentra no registro estruturado das informações clínicas enquanto o profissional dedica sua atenção ao paciente. Nesse caso, a IA não substitui o médico. Ela devolve ao médico aquilo que a burocracia havia tomado: tempo de escuta.

O mesmo princípio começa a aparecer em outras profissões. Na engenharia, sistemas de IA ajudam na modelagem e simulação de projetos complexos.

No direito, ferramentas de análise documental auxiliam na triagem de jurisprudência. Na administração, algoritmos apoiam a análise de dados e decisões estratégicas. A tecnologia pode acelerar o trabalho intelectual. Mas ela não substitui o julgamento humano. O problema torna-se grave quando observamos o processo de formação profissional.

Se estudantes passam anos produzindo trabalhos baseados em respostas geradas por inteligência artificial, o resultado inevitável é um déficit de competências. O diploma permanece. A capacidade profissional não. Esse cenário levanta perguntas incômodas para educadores e instituições de ensino: Como avaliar aprendizagem real em um ambiente em que textos podem ser gerados em segundos? Como desenvolver pensamento crítico se o estudante não precisa formular argumentos? Como formar profissionais capazes de tomar decisões complexas se nunca foram obrigados a raciocinar profundamente?

Sem enfrentarmos essas questões, corremos o risco de criar um mercado de trabalho com certificados abundantes e competência escassa.

A resposta não está em combater a tecnologia, mas em redesenhar a pedagogia.

Pesquisadores da área de educação já indicam que o caminho passa pela construção de políticas institucionais de uso responsável da IA e pelo desenvolvimento de alfabetização em inteligência artificial — ou seja, ensinar estudantes a compreender como esses sistemas funcionam, seus limites e seus vieses. Além disso, educadores defendem mudanças no próprio modelo de avaliação. Trabalhos puramente textuais tendem a se tornar cada vez menos confiáveis como evidência de aprendizagem.

A revolução da inteligência artificial não é apenas tecnológica. Ela é pedagógica.

O desafio das instituições de ensino não será ensinar estudantes a usar ferramentas — isso qualquer jovem aprende em poucos minutos. O verdadeiro desafio será preservar aquilo que nenhuma máquina consegue replicar plenamente: pensamento crítico, criatividade, julgamento ético e responsabilidade profissional.

Se a educação falhar nessa missão, a inteligência artificial não terá nos substituído. Teremos apenas nos acostumado a pensar menos.

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