Drones com câmeras térmicas ajudam a identificar espécies ameaçadas na Serra das Torres
Foto: Divulgação/Iema-ESO uso de drones equipados com câmeras térmicas está transformando o monitoramento da fauna no Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast), no Espírito Santo. Durante o mês de junho, a equipe técnica da unidade de conservação realizou uma operação de levantamento de mamíferos arborícolas utilizando a tecnologia, que permite localizar animais escondidos entre a copa das árvores com maior precisão.
A ação contou com o apoio da pesquisadora Paloma Santos, do Instituto Tamanduá, e teve como foco espécies das ordens Pilosa, como tamanduás e preguiças, além de primatas que habitam a área protegida.
Entre os principais resultados do monitoramento está o primeiro registro fotográfico da preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) dentro dos limites do Monumento Natural Serra das Torres. Durante a operação, foram identificados três indivíduos da espécie: um macho e uma fêmea acompanhada de um filhote. Embora a presença do animal já fosse conhecida na região, esta é a primeira comprovação visual obtida pela equipe técnica.
Outro destaque foi o registro de um grupo com quatro exemplares de sauá, também conhecido como guigó (Callicebus donacophilus), localizado durante o sobrevoo realizado pelos drones.
O levantamento reforça a importância do monitoramento permanente da biodiversidade na unidade de conservação. Atualmente, o Monast possui um histórico de 479 espécies de fauna catalogadas, sendo que 17 delas estão classificadas em algum grau de ameaça de extinção ou vulnerabilidade.
Segundo o gestor da unidade, Marcos Paulo Rodrigues de Almeida, os resultados demonstram o potencial da tecnologia para ampliar a eficiência das ações de conservação.
"Esses registros representam um marco e reforçam a importância das parcerias científicas. O uso de drones com câmeras termais vai além do monitoramento biológico: o equipamento possui aplicações diretas no apoio à fiscalização de áreas de difícil acesso e no combate a incêndios florestais, facilitando a identificação de focos de calor remanescentes", destacou.
Além da pesquisa científica, os equipamentos também podem ser utilizados em operações de fiscalização ambiental e no combate a incêndios florestais, tornando mais ágil a identificação de áreas críticas e de focos de calor em regiões de difícil acesso.
As ações de preservação desenvolvidas no Monumento Natural Serra das Torres são coordenadas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e contam com apoio do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o órgão ambiental e a mineradora Vale, fortalecendo as iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade capixaba.



