Guerra no Irã pressiona custos e pode encarecer remédios no Brasil

Dependência externa de insumos farmacêuticos expõe vulnerabilidade do país diante de conflitos no Oriente Médio
Uma possível escalada de conflito envolvendo o Irã já começa a gerar efeitos indiretos no Brasil. O setor farmacêutico alerta para o aumento nos custos logísticos de importação de insumos, o que pode impactar o preço final dos medicamentos nos próximos meses.
O Brasil importa entre 85% e 95% dos chamados Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs), substâncias essenciais para a produção de remédios. A maior parte desses insumos vem da China e da Índia, que juntos respondem por cerca de 70% do total utilizado pela indústria nacional.
Até recentemente, a Arábia Saudita funcionava como um importante hub logístico, facilitando o transporte aéreo desses produtos. Com o agravamento das tensões no Oriente Médio, essa rota se tornou menos viável, obrigando empresas a adotarem caminhos alternativos, como vias que passam pela Rússia ou pelo Oceano Pacífico.
Segundo estimativas do setor, essas mudanças já elevaram os custos de transporte entre 20% e 25%. A tendência é que esse aumento seja repassado, ao menos em parte, ao consumidor final.
Apesar do cenário, farmácias e laboratórios afirmam que o abastecimento segue normal. O governo federal também informou que, até o momento, não há risco de desabastecimento no país.
Especialistas, no entanto, destacam que o episódio evidencia um problema estrutural. O Brasil produz apenas cerca de 5% dos insumos farmacêuticos que consome, o que torna o sistema de saúde dependente de cadeias globais vulneráveis a crises geopolíticas.
Diante desse contexto, o conflito no Oriente Médio reacende o debate sobre a necessidade de ampliar a produção nacional e reduzir a dependência externa em um setor considerado estratégico para a saúde pública.



