Operação Vectura Corrupta mira suposta infiltração do PCC no transporte público de SP
Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara/CNNUma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) para investigar uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de passageiros da capital e de municípios do estado.
Batizada de Operação Vectura Corrupta, a ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. As ordens judiciais são executadas em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Entre os alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil. Segundo os investigadores, o político é citado em diferentes momentos das apurações como responsável pela administração de empresas que teriam ligação com a organização criminosa.
Depoimentos de policiais militares apresentados ao Tribunal de Justiça Militar também apontam, segundo a investigação, que Milton Leite seria o proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolf.
As autoridades afirmam ainda que pelo menos 12 empresas de transporte coletivo que atuam na capital paulista estariam sob controle direto ou indireto do PCC.
A nova operação é considerada um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, as investigações identificaram uma estrutura de comunicação do PCC por meio de advogados, além de indícios relacionados ao financiamento de campanhas políticas nas eleições municipais de 2024, lançamento de candidaturas e participação de servidores públicos.
Entre os investigados nesta nova fase estão um ex-servidor da Prefeitura de São Paulo que trabalhou na SPTrans, um candidato a deputado estadual, três advogados e outros suspeitos de participação no esquema.
Investigação aponta diferentes funções
De acordo com a documentação judicial, diálogos obtidos a partir de dispositivos eletrônicos, documentos e movimentações financeiras são utilizados para sustentar as suspeitas contra os investigados.
A investigação atribui diferentes funções aos alvos, incluindo suposta intermediação de interesses em licitações, movimentação de recursos, contatos com integrantes da organização criminosa e atuação no setor de transporte coletivo.
Entre os nomes citados estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira; Carla de Paulo Muller, apontada como responsável pela transmissão de mensagens relacionadas à facção; os advogados Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu; além de empresários e outros supostos operadores.
Também aparece entre os investigados Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual, cuja campanha de 2024 é apontada pela investigação como tendo recebido recursos do PCC.
O empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Esporte Clube Água Santa, também é citado nas apurações. Segundo os investigadores, ele administraria empresas de transporte que teriam relação com o esquema.
Outros investigados são apontados como intermediários em negociações, pagamentos, licitações e comunicação entre diferentes integrantes do grupo.
As acusações ainda estão em fase de investigação. O próprio despacho judicial destaca que os elementos apresentados correspondem a uma análise preliminar dos indícios e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
Milton Leite nega estar foragido
Após a deflagração da operação, Milton Leite afirmou que está viajando e negou que esteja foragido.
Em nota, o ex-vereador declarou que pretende se apresentar às autoridades dentro do prazo informado e afirmou que irá buscar demonstrar sua inocência diante das acusações.
A investigação segue sob responsabilidade das autoridades, que deverão analisar os elementos apreendidos durante o cumprimento dos mandados.



