Prevenção no Campo: Embrapa Orienta Agro do Sul Contra El Niño Prolongado
Foto: Paulo Lanzetta/Divulgação:EmbrapaA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou uma nota técnica conjunta, elaborada por sete de suas unidades, contendo um conjunto de orientações estratégicas. O objetivo principal é apoiar o setor agropecuário da Região Sul do Brasil na contenção dos impactos decorrentes do fenômeno El Niño.
A iniciativa surge em um cenário de alta probabilidade de persistência do El Niño, com projeções indicando de 97% a 99% de chance de o fenômeno se manter ativo até o início de 2027. Além disso, há 63% de probabilidade de que ele alcance uma intensidade considerada "muito forte". As diretrizes visam auxiliar produtores rurais a minimizar perdas associadas a fatores como chuvas excessivas, encharcamento do solo e proliferação de doenças em lavouras.
O estudo é fruto da colaboração das unidades Clima Temperado, Florestas, Pecuária Sul, Soja, Suínos e Aves, Trigo e Uva e Vinho, que atuam de forma integrada na Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos. Essa união de conhecimentos reforça a capacidade da instituição em oferecer soluções abrangentes.
Especialistas da Embrapa enfatizam a importância da antecipação e do planejamento. O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, ressalta que o conhecimento atual sobre o El Niño é significativamente maior do que em décadas passadas. "O desafio é converter esse conhecimento em ações concretas no campo. Os impactos não são inevitáveis se houver preparo", afirma.
As recomendações da Embrapa incluem a adequação dos investimentos às condições climáticas esperadas, a cautela em relação a projeções de produtividade excepcionais e a implementação de medidas preventivas e de mitigação, tais como:
Manejo e Drenagem: Aprimorar o escoamento de água e proteger o solo contra processos erosivos, especialmente em culturas como soja, milho e arroz.
Sanidade Vegetal: Intensificar as estratégias de controle de doenças que afetam cereais de inverno, como trigo, cevada e aveia, além de pomares.
Fruticultura: Adotar precauções para prevenir danos por encharcamento, ventos fortes ou granizo, dado que este setor é reconhecido por sua sensibilidade às variações climáticas.
Instrumentos de Proteção: Orientação para o cumprimento do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e a adesão a modalidades de seguro rural como forma de segurança.
Adicionalmente às práticas a serem implementadas nas propriedades, o documento da Embrapa incentiva ações em uma escala mais ampla, como em microbacias hidrográficas. Também é estimulada a adoção de sistemas agrícolas que demonstram maior resiliência climática, a exemplo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) e da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
José Reinaldo Moraes, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, reforça a mensagem de que, embora o El Niño altere os padrões climáticos, não implica necessariamente em perdas. "O El Niño é um fenômeno previsível que demanda uma revisão dos padrões de risco. Seus efeitos adversos podem ser atenuados por meio de um planejamento rigoroso, adoção de boas práticas agrícolas e acesso a informações técnicas de qualidade", explica.
Como parte da iniciativa, a Embrapa planeja oferecer capacitação contínua para equipes de assistência técnica e disponibilizar materiais educativos digitais, incluindo aplicativos, garantindo que as recomendações cheguem de maneira eficaz e direta aos produtores rurais.



