Quais profissões vão crescer no Espírito Santo — e estamos preparando nossos jovens para elas?

Se um jovem começasse hoje a escolher sua profissão no Espírito Santo, ele deveria olhar para o passado da economia ou para o futuro que já está se formando diante de nós?
Essa pergunta é cada vez mais urgente. O mercado de trabalho está mudando rapidamente e alguns setores começam a se destacar com mais força na economia capixaba: turismo, saúde, tecnologia e indústria. O desafio é saber se nosso sistema educacional está preparado para formar profissionais para essas áreas.
O Espírito Santo vive um momento econômico relevante. Dados do Instituto Jones dos Santos Neves mostram que a economia capixaba cresceu 3,4% em 2023, desempenho acima da média nacional e da região Sudeste. Isso significa mais atividade econômica, novos investimentos e, naturalmente, novas demandas por profissionais qualificados.
Entre os setores que mais tendem a gerar oportunidades, o turismo aparece como um dos mais promissores. Segundo o Observatório do Turismo do Espírito Santo, o setor foi responsável por 8,2% dos empregos gerados no estado em 2024, com centenas de novas vagas em atividades como hospedagem, alimentação e serviços ligados ao visitante. O crescimento recente mostra que o turismo deixou de ser apenas uma atividade complementar e passou a ser parte importante da economia.
Esse movimento não é apenas estatístico. Basta observar a realidade regional. No sul do Espírito Santo, cidades como Guarapari, Domingos Martins, Pedra Azul, Anchieta e a região do Caparaó vivem um crescimento visível do turismo de experiência, do turismo gastronômico e do turismo de natureza. Cada visitante que chega movimenta uma cadeia econômica inteira: guias, hotéis, restaurantes, produtores locais, artesãos e operadores turísticos.
Outro setor que cresce de forma consistente é o da saúde. Um estudo recente divulgado pela Fecomércio-ES aponta que a chamada “economia do cuidado” já reúne cerca de 103 mil empregos no estado, envolvendo hospitais, clínicas, serviços de assistência e atividades ligadas ao envelhecimento da população. Com o aumento da expectativa de vida e o avanço da medicina, a demanda por profissionais de saúde tende a aumentar nas próximas décadas.
A tecnologia também ganha espaço rapidamente. O mesmo estudo destaca o crescimento da chamada economia digital, que registrou expansão de cerca de 75% no estado, indicando que atividades ligadas a dados, software, automação e inteligência artificial passam a ter peso crescente na economia capixaba.
Por fim, a indústria continua sendo um dos pilares do desenvolvimento do Espírito Santo. De acordo com dados da Federação das Indústrias do estado, o setor industrial responde por 38,3% do Produto Interno Bruto capixaba, colocando o Espírito Santo entre os estados mais industrializados do país. Isso inclui atividades como siderurgia, mineração, logística portuária, rochas ornamentais e produção de celulose.
Diante desse cenário, a pergunta central deixa de ser quais setores vão crescer. A pergunta passa a ser outra: estamos formando profissionais para esses setores?
Muitas vezes a educação ainda caminha olhando para profissões tradicionais, enquanto o mercado já exige novas competências. O turismo demanda formação em hospitalidade, idiomas, marketing digital e gestão de experiências. A saúde exige profissionais cada vez mais especializados, capazes de lidar com tecnologia médica e análise de dados clínicos. A indústria busca técnicos e engenheiros preparados para automação e inovação. A economia digital exige pensamento computacional e domínio de ferramentas tecnológicas.
Se o sistema educacional não acompanhar essa transformação, corre-se o risco de formar jovens para um mercado que já não existe mais.
A solução passa por aproximar educação e desenvolvimento regional. Isso significa fortalecer o ensino técnico, ampliar cursos voltados às vocações econômicas do estado e estimular parcerias entre escolas, universidades e empresas. Significa também olhar para a educação como estratégia de desenvolvimento, e não apenas como política social.
O futuro do trabalho no Espírito Santo já está sendo desenhado por esses setores. A questão é simples, mas decisiva: vamos preparar nossos jovens para ocupar essas oportunidades ou veremos essas vagas sendo preenchidas por profissionais de fora?



