Última década foi a mais quente da história, aponta relatório da ONU
Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilA última década consolidou-se como o período mais quente já registrado desde 1850, com os anos de 2015 a 2025 concentrando as temperaturas mais elevadas na série histórica. A constatação vem do relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em alusão ao Dia Mundial da Meteorologia.
O ano de 2025 figura entre os mais quentes já documentados, superando em aproximadamente 1,43°C os níveis observados antes da era industrial. Essa realidade levou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a declarar estado de emergência climática, ressaltando que os principais indicadores ambientais apresentam níveis de alerta máximo.
O estudo aponta o contínuo aumento das concentrações de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, como o principal motor do aquecimento atmosférico e oceânico, além do acelerado derretimento das geleiras. Consequentemente, eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, chuvas torrenciais e ciclones, têm gerado profundos impactos socioeconômicos, como insegurança alimentar e deslocamento populacional.
Desequilíbrio Energético Amplificado
A análise do relatório abrange o desequilíbrio energético da Terra, uma métrica que compara a energia solar recebida com a energia irradiada de volta ao espaço. Observa-se um crescimento constante desse desequilíbrio desde 1960, com uma aceleração notável nas últimas duas décadas.
Os oceanos absorvem a maior parte desse calor em excesso, respondendo por cerca de 91%. Em 2025, os oceanos atingiram seu pico de aquecimento documentado em profundidades de até 2 mil metros. Outras parcelas do calor contribuem para o aquecimento e derretimento de geleiras (3%), resultando na elevação do nível do mar, para o aquecimento da atmosfera (1%) e para o aquecimento das massas continentais (5%).
A OMM alerta que as transformações nos oceanos são de longa duração, com impactos irreversíveis que se estendem por séculos e milênios. Essas mudanças afetam diretamente os ecossistemas marinhos, a biodiversidade e a capacidade dos oceanos de absorver carbono.
Saúde Humana Sob Ameaça
As alterações climáticas exercem impacto direto na saúde humana, nos meios de subsistência e nos sistemas econômicos. O relatório destaca um aumento no risco de doenças transmitidas por vetores e água contaminada, além de consequências adversas para a saúde mental.
Globalmente, mais de 1,2 bilhão de trabalhadores, especialmente nos setores de agricultura e construção, estão expostos a riscos relacionados ao calor excessivo. Diante desse cenário, a OMM enfatiza a necessidade de integrar dados climáticos aos sistemas de saúde, visando fortalecer as estratégias de prevenção.



