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Colunistas

NENHUMA CIDADE SE DESENVOLVE ACIMA DA QUALIDADE DA SUA EDUCAÇÃO

Janaina Dardengo 01/07/2026
NENHUMA CIDADE SE DESENVOLVE ACIMA DA QUALIDADE DA SUA EDUCAÇÃO

O que faz uma cidade prosperar de verdade? Muitos responderão que são as estradas, os investimentos, os incentivos fiscais ou a chegada de grandes empresas. Todos esses fatores têm importância. Mas existe um elemento que antecede e sustenta qualquer projeto consistente de desenvolvimento: a educação.

Não por acaso, os territórios que mais cresceram economicamente nas últimas décadas foram justamente aqueles que transformaram a formação das pessoas em prioridade estratégica. A experiência internacional mostra que desenvolvimento sustentável não nasce apenas da infraestrutura física, mas da capacidade de uma população produzir conhecimento, inovar e adaptar-se às mudanças do mundo do trabalho.

A Coreia do Sul é um dos exemplos mais conhecidos. Na década de 1960, o país possuía indicadores econômicos comparáveis aos de muitas nações em desenvolvimento. Ao longo de décadas, porém, investiu fortemente na universalização da educação, na qualificação técnica e na formação científica. Hoje, tornou-se referência global em tecnologia, indústria e inovação.

Outro caso emblemático é o da Finlândia. Frequentemente lembrada pelos excelentes resultados educacionais, ela demonstra que a qualidade da aprendizagem não é apenas uma questão pedagógica. Trata-se também de uma estratégia de desenvolvimento nacional. Uma população altamente qualificada favorece a criação de empresas inovadoras, amplia a produtividade e fortalece a capacidade de enfrentar transformações econômicas e tecnológicas.

No Brasil, embora os desafios sejam maiores, também encontramos experiências que reforçam essa relação. Municípios que conseguiram elevar seus indicadores educacionais costumam apresentar melhores condições para atrair investimentos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades para os jovens.

O caso de Sobral, no Ceará, tornou-se uma referência nacional. O município demonstrou que políticas educacionais consistentes podem transformar indicadores de aprendizagem em relativamente pouco tempo. O resultado ultrapassa os limites da escola. Uma cidade que forma melhor suas crianças cria bases mais sólidas para o desenvolvimento econômico e social das próximas décadas.

Há uma razão simples para isso. Empresas podem mudar de endereço. Incentivos fiscais podem acabar. Obras envelhecem. O conhecimento, porém, permanece nas pessoas e se multiplica quando compartilhado.

Essa discussão torna-se ainda mais urgente diante das transformações provocadas pela inteligência artificial e pela automação. As cidades que desejam gerar empregos de qualidade precisarão formar cidadãos capazes de aprender continuamente, resolver problemas complexos, trabalhar com tecnologia e desenvolver pensamento crítico. Não basta preparar trabalhadores para as profissões atuais; é preciso prepará-los para funções que ainda estão surgindo.

Nesse contexto, a educação profissional ganha papel decisivo. Regiões que conseguem alinhar formação técnica às vocações econômicas locais fortalecem sua competitividade e ampliam oportunidades para a população. Saúde, turismo, tecnologia, indústria e economia criativa dependem cada vez mais de profissionais qualificados.

Essa reflexão é especialmente importante para cidades de porte médio, que buscam ampliar sua capacidade de gerar empregos e reter talentos. Muitas vezes, o maior desafio não é atrair investimentos, mas criar condições para que os jovens encontrem perspectivas de crescimento sem precisar deixar sua região.

Quando uma cidade perde seus talentos, perde também parte do seu potencial de inovação, empreendedorismo e liderança futura.

Por isso, a pergunta que gestores públicos, empresários e lideranças sociais deveriam fazer não é apenas quantas empresas conseguem atrair, mas qual projeto educacional estão construindo para os próximos vinte anos.

A história mostra que as cidades mais bem-sucedidas do mundo fizeram uma escolha clara: colocaram a educação no centro de sua estratégia de desenvolvimento. Porque nenhuma cidade consegue crescer de forma sustentável acima da qualidade da formação oferecida às suas pessoas.

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