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As profissões que vão desaparecer antes de 2040 — e por que isso deveria preocupar escolas, empresas e governos

Janaina Dardengo 07/04/2026
As profissões que vão desaparecer antes de 2040 — e por que isso deveria preocupar escolas, empresas e governos

Será que estamos preparando os jovens para profissões que talvez não existam mais em 2040? Essa é uma pergunta incômoda, mas necessária.

Durante décadas, o debate sobre futuro do trabalho girou em torno da ideia de que novas tecnologias destruiriam alguns empregos e criariam outros. Isso continua verdadeiro. A diferença é que a velocidade da inteligência artificial está encurtando dramaticamente esse intervalo.

A nova onda de automação não ameaça apenas tarefas repetitivas de fábrica. Agora, ela alcança escritórios, bancos, áreas administrativas, atendimento ao cliente, logística, contabilidade, produção de conteúdo e até parte das atividades jurídicas e da saúde. O impacto já começou.

O Fórum Econômico Mundial estima que 22% dos empregos atuais passarão por transformação estrutural até 2030. Ao mesmo tempo em que 92 milhões de postos poderão desaparecer, outros 170 milhões devem surgir, especialmente em tecnologia, saúde, educação, energia, infraestrutura e funções ligadas à supervisão da própria inteligência artificial. Cerca de 40% das habilidades hoje exigidas no mercado também devem mudar nos próximos anos. (reports.weforum.org)

Isso significa que o centro do problema não é apenas o desaparecimento de profissões, mas a velocidade com que antigas ocupações perderão valor antes que trabalhadores e sistemas educacionais consigam se adaptar.

Entre as profissões mais vulneráveis estão caixas de banco, operadores de telemarketing, auxiliares administrativos, agentes de viagem, atendentes de pedágio, caixas de supermercado, profissionais de cobrança, recepcionistas e parte das funções de suporte contábil. Em comum, essas ocupações têm tarefas padronizadas, previsíveis e facilmente transformadas em fluxos automáticos por softwares, plataformas digitais e sistemas de IA generativa.

No Brasil, esse movimento tende a ser ainda mais sensível porque uma parcela relevante da população ocupada está justamente em funções administrativas, operacionais e de atendimento. Estudo da McKinsey estima que quase 16 milhões de postos de trabalho podem ser perdidos no país até 2030 por causa da automação. Isso equivale a 14% da força de trabalho brasileira atual.

Mas é importante evitar um erro comum: a maioria das profissões não desaparecerá por completo. O que desaparecerá são partes inteiras das tarefas que compõem essas profissões.

Um contador, por exemplo, tende a gastar menos tempo com conferência de documentos, lançamento de dados e preenchimento de planilhas — atividades que softwares já fazem com enorme precisão. Em compensação, aumenta o valor de quem consegue interpretar cenários, orientar decisões, construir estratégias tributárias e conversar com clientes.

O mesmo vale para professores, médicos, advogados, jornalistas e gestores. A IA pode produzir textos, resumir documentos, gerar relatórios e encontrar padrões em segundos. Mas ela ainda tem limitações importantes quando se trata de empatia, julgamento ético, mediação de conflitos, pensamento crítico, criatividade, liderança e compreensão de contexto.

Por isso, talvez a principal mudança até 2040 não seja o desaparecimento puro e simples de determinadas carreiras, mas a redefinição do que torna um profissional relevante.

As ocupações mais ameaçadas são aquelas baseadas em repetição. As mais protegidas são aquelas que dependem de interpretação, relacionamento humano, repertório, tomada de decisão e adaptação.

Essa mudança deveria provocar uma revisão urgente no modelo educacional brasileiro. Ainda formamos jovens para memorizar conteúdos, repetir procedimentos e cumprir tarefas padronizadas — justamente aquilo que máquinas e algoritmos fazem cada vez melhor.

Se a escola continuar treinando estudantes apenas para executar instruções, ela estará formando pessoas para competir com a inteligência artificial no terreno em que a inteligência artificial é mais forte.

O desafio passa a ser outro: ensinar resolução de problemas, pensamento analítico, comunicação, capacidade de aprender continuamente, trabalho em equipe, leitura de cenários, criatividade e responsabilidade ética.

No Espírito Santo, isso ganha contornos ainda mais estratégicos. Regiões que dependem de atividades industriais, logística, comércio, serviços administrativos e operação portuária tendem a sentir mais rapidamente os efeitos da automação. Ao mesmo tempo, áreas como saúde, turismo, tecnologia, energias renováveis, indústria avançada e educação profissional podem abrir novas oportunidades.

O Sul do Espírito Santo, por exemplo, pode se beneficiar se conseguir alinhar formação técnica, inovação e desenvolvimento regional. Não basta criar cursos. Será preciso criar cursos conectados às novas demandas produtivas, capazes de preparar trabalhadores para atuar ao lado da tecnologia — e não apenas substituídos por ela.

A discussão sobre as profissões que vão desaparecer antes de 2040 não é apenas uma conversa sobre empregos. É uma conversa sobre desigualdade, mobilidade social, educação e futuro.

Quem tiver acesso à formação contínua conseguirá atravessar melhor essa transformação. Quem não tiver poderá enfrentar um mercado mais excludente, mais instável e mais concentrado.

A inteligência artificial não vai eliminar o trabalho humano. Mas vai eliminar, de forma acelerada, o trabalho humano que não evoluir.

E talvez essa seja a pergunta mais importante para governos, escolas, empresas e famílias: estamos preparando as pessoas para competir com máquinas ou para desenvolver aquilo que só os humanos conseguem fazer?

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