Movimento antecipado, resposta imediata do Palácio Anchieta
Foto: Foto: Fred Loureiro/Secom-ESAinda nem foi aberta oficialmente a janela partidária, mas os movimentos concretos já estão em curso no Espírito Santo. O que está em disputa não é apenas troca de siglas — é reposicionamento estratégico no tabuleiro eleitoral. E, neste momento, a balança pende para o vice-governador Ricardo Ferraço.
Sucessor natural do governador Renato Casagrande na corrida de 2026, Ricardo não atua como espectador — e sua trajetória política explica o porquê. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador da República, vice-governador em outra ocasião e secretário de Estado. Sua carreira é marcada por capacidade de articulação e leitura estratégica de cenário, atributos essenciais em disputas majoritárias.
Se não bastasse o currículo institucional, Ricardo carrega ainda capital político de origem. É filho de Theodorico Ferraço, atualmente em seu 17º mandato, e prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. A trajetória familiar indica algo que, em política, costuma fazer diferença: construção de longo prazo, paciência estratégica e planejamento contínuo.
O estopim do contra-ataque governista foi o movimento de Arnaldinho Borgo. Ao assumir o comando estadual do PSDB, retirando-o das mãos de Vandinho Leite — aliado histórico de Ricardo —, Arnaldinho não apenas mudou a direção da sigla. Ele levou o partido, que integrava a base governista, para o campo oposicionista.
O gesto ganhou peso simbólico adicional quando o vice-prefeito de Vila Velha, figura da cozinha política de Casagrande e historicamente ligado ao PSB, também acompanhou o movimento. A sinalização foi inequívoca: o grupo municipal passaria a caminhar ao lado de Lorenzo Pazolini.
Na mesma linha, o PSD, sob liderança de Renzo Vasconcelos, que até então mantinha posição indefinida, passou a emitir sinais claros de alinhamento com o bloco opositor. O desenho de um campo alternativo começava a ganhar densidade.
A resposta veio em sequência. Prefeitos de Guarapari e Iconha deixaram o Republicanos. No plano federal, Amaro Neto e Messias Donato — ambos com forte densidade eleitoral e cotados à reeleição — ainda não formalizaram saída, mas já sinalizaram que devem deixar a sigla, reduzindo consideravelmente a possibilidade do partido eleger representante para a sua bancada federal.
Outro movimento estratégico envolve Serginho Menegueli, campeão de votos à Assembleia em 2022 e nome ventilado pelo PSD para disputa ao Senado. Convidado por Ricardo Ferraço a ingressar no MDB, Menegueli pode representar mais um abalo significativo no campo oposicionista — retirando uma das peças mais competitivas do entorno de Pazolini.
A eleição de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos. E, por ora, quem dita o compasso é o Palácio Anchieta — que demonstra capacidade de reação e articulação, e pode ainda promover novos movimentos nas próximas semanas, aprofundando o processo de desidratação do grupo liderado por Pazolini.



