Operação da PF investiga R$ 2,5 bilhões em aplicações do Governo do RJ no Banco Master
Foto: Vinícius Schmidt/MetrópolesA Polícia Federal deflagrou a Operação Barco de Papel, com o objetivo de apurar um montante aproximado de R$ 2,5 bilhões em aplicações realizadas pelo governo do Rio de Janeiro, sob a gestão de Cláudio Castro, junto ao Banco Master. A instituição financeira em questão teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A ação policial, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu a realização de dez mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
A investigação concentra seus esforços sobre os recursos públicos administrados pelo RioPrevidência, fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais fluminenses. Conforme apurado, a autarquia teria destinado aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, além de R$ 1,5 bilhão alocado em fundos sob gestão da própria instituição.
As movimentações financeiras sob escrutínio ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024. A Polícia Federal busca identificar os responsáveis pela autorização dessas operações, as análises técnicas que fundamentaram tais decisões e se houve, de fato, uma exposição inadequada do patrimônio público a ativos considerados de alto risco.
As letras financeiras adquiridas pelo RioPrevidência funcionavam como instrumentos de empréstimo de longo prazo para o Banco Master, com a expectativa de rentabilidade futura. No entanto, a apuração aponta para fragilidades significativas nessas transações:
Ausência de garantias: Os títulos adquiridos não contavam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um mecanismo que assegura investidores em cenários de insolvência bancária.
Concentração de investimentos: O fundo previdenciário centralizou vultosos valores em uma única entidade bancária, o que diverge das boas práticas de segurança recomendadas para a gestão de fundos de aposentadoria.
Alertas desconsiderados: Informações preliminares sugerem que o RioPrevidência manteve a elevada exposição financeira mesmo diante de advertências internas e de mercado sobre os riscos de liquidez do Banco Master.
Este inquérito adiciona um novo capítulo às pressões jurídicas sobre o governador Cláudio Castro, que já responde a outra investigação da Polícia Federal relacionada ao caso Refit. A PF trabalha para mapear a estrutura de comando por trás desses aportes, a fim de determinar se pareceres técnicos que apontavam para riscos foram intencionalmente ignorados ou se houve indícios de favorecimento indevido e gestão temerária.
Em pronunciamento oficial, o RioPrevidência afirmou que as operações foram conduzidas em estrita conformidade com a legislação vigente e que os recursos investidos estão amparados por garantias judiciais vinculadas à retenção de receitas de crédito consignado. A autarquia declarou ter como objetivo a recuperação integral dos valores aplicados.



