TCE-ES Impõe Prazo para Regularização Urgente do Transporte Intermunicipal
Foto: MPC-ESO Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) determinou, em decisão unânime, que a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) e a Companhia de Transportes Urbanos do Espírito Santo (Ceturb-ES) implementem medidas rigorosas para sanar as irregularidades no Sistema de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros (Sitrip). A auditoria realizada pela Corte constatou que o setor opera há mais de três décadas sem licitações, resultando em uma frota de ônibus em mau estado de conservação e ausência de transparência nos processos.
Baseado no Acórdão 300/2026, o TCE-ES estabeleceu prazos definidos para corrigir falhas críticas na fiscalização e na prestação deste serviço público essencial. O conselheiro relator, Carlos Ranna, enfatizou que a situação atual descumpre a Constituição Federal e ordens judiciais emitidas desde 2012, evidenciando um cenário de negligência administrativa com impactos diretos na segurança dos usuários.
As principais falhas identificadas na auditoria incluem:
Ausência de Licitação: Contratos vigentes de forma precária e com prorrogações indevidas desde 1991.
Frota Obsoleta: Utilização de veículos com idade superior ao limite legal e certificados de segurança vencidos.
Opacidade Financeira: Constatadas deficiências no controle da Taxa de Gerenciamento de Operação.
Canais de Atendimento Insuficientes: Falta de informação clara aos usuários sobre procedimentos de reclamação.
O Tribunal definiu um cronograma de ações para a regularização:
A Semobi tem até 60 dias para apresentar estudos técnicos e iniciar o processo de licitação das linhas do Sitrip.
A mesma secretaria deverá, em até 90 dias, realizar uma revisão completa do Regulamento do Sitrip, atualizando normas defasadas.
A Ceturb-ES tem 120 dias para instaurar processos disciplinares e aplicar sanções às empresas com frotas irregulares.
A Ceturb-ES também deverá, de forma imediata, realizar inspeções extraordinárias em todos os ônibus com mais de 10 anos de uso.
Além da regularização legal, o TCE-ES incorporou sugestões do Ministério Público de Contas (MPC-ES) visando a modernização do serviço. As futuras concessões deverão contemplar:
Adoção de bilhetagem eletrônica integrada.
Garantia de frota com acessibilidade para pessoas com deficiência em toda a malha de transporte.
Estabelecimento de metas para a redução de emissão de poluentes, promovendo sustentabilidade.
Criação de conselhos consultivos e realização de audiências públicas periódicas para assegurar o controle social e a participação dos usuários.
O parecer do MPC-ES ressaltou a “prolongada inércia administrativa” do governo estadual, que não implementou medidas efetivas para a concessão, apesar de constar no planejamento estratégico do período 2019-2022. O Tribunal destacou que a operação sem concorrência por parte de empresas tradicionais tem estagnado a qualidade do serviço prestado.
A decisão do TCE-ES busca, portanto, reverter um ciclo de 30 anos de irregularidades, exigindo que o Estado assuma o controle e assegure que a lei prevaleça, visando a segurança e a eficiência do transporte rodoviário intermunicipal para os cidadãos capixabas. A decisão está sujeita a recurso.



