Cris Samorini segue os passos de Pazolini e tensiona relação com aliados na Capital
Foto: DivulgaçãoPrefeita de Vitória não agrada base de apoio e escancara falta de diálogo com vereadores, repetindo a rigidez política de seu antecessor e atraindo duras críticas no Legislativo.
VITÓRIA O estilo de gestão centralizador e a escassa disposição para a articulação política parecem ter se consolidado como uma herança definitiva no Palácio Jerônimo Monteiro. Com menos de dois meses após assumir o comando da Prefeitura de Vitória, a prefeita Cris Samorini (PP) já enfrenta suas primeiras e severas turbulências no relacionamento com a base aliada. Relatos colhidos nos bastidores institucionais indicam que a atual mandatária vem seguindo de forma fidedigna a cartilha política de seu antecessor, Lorenzo Pazolini (Republicanos), provocando um forte tencionamento com partidos e aliados.
A insatisfação com os novos rumos do Executivo municipal é tratada como quase unânime por lideranças próximas, tendo o seu principal foco de incêndio localizado na Câmara Municipal. Vereadores governistas, que inicialmente projetavam uma postura mais participativa, horizontal e transparente por parte da nova chefe do Executivo, agora queixam-se abertamente da falta de habilidade relacional e do sistemático "fechamento de portas" promovido pela administração. Nos corredores do Legislativo, aponta-se uma nítida carência de traquejo político em Samorini.
A herança da rigidez
Para analistas e parlamentares, o comportamento da atual prefeita reflete de maneira direta o "modus operandi" de Lorenzo Pazolini, que renunciou ao cargo para disputar as eleições estaduais. Durante seu período à frente da prefeitura, Pazolini ficou amplamente conhecido por sua postura rígida e marcada pelo desprestígio a aliados de primeira hora. Essa dinâmica personalista ficou historicamente evidente no isolamento imposto à sua primeira vice-prefeita, Capitã Estéfane, bem como nos constantes atritos institucionais com o Poder Legislativo.
Ao assumir a cadeira principal, Cris Samorini, cuja trajetória é oriunda do associativismo empresarial e da presidência da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), era vista por setores políticos como uma oportunidade técnica para a pacificação e abertura de novos canais de diálogo. No entanto, a prática recente tem demonstrado a reprodução exata dos considerados erros de seu antecessor, frustrando as expectativas de coalizão.
Armandinho Fontoura questiona comando e fala em "exorcismo" na Prefeitura
A fervura política atingiu o ápice durante a sessão da última segunda-feira (25), na Câmara de Vitória. Rompendo o silêncio e elevando o tom, o vereador Armandinho Fontoura (PL) subiu à tribuna para proferir duras críticas à condução do Executivo municipal, cobrando transparência e levantando dúvidas severas sobre a real liderança que opera de fato dentro do Palácio Jerônimo Monteiro.
Em um discurso contundente, o parlamentar colocou em xeque a autonomia da prefeita neste período de quase 60 dias de gestão: "Quem é a prefeita e quem realmente está governando a cidade de Vitória? Temos quase 60 dias e precisamos de uma posição clara da gestão municipal em diversos assuntos, sobretudo identidade. Quem é o prefeito? Ou a prefeita? Quem governa? A serviço de quem? Qual o interesse?”, disparou Fontoura.
O vereador demonstrou profunda insatisfação com o que caracterizou como um vácuo de liderança clara e cobrou respostas firmes para a sociedade capixaba, utilizando-se também de metáforas irônicas para criticar o ambiente administrativo interno do Palácio Municipal:
"Acho que a prefeitura pode melhorar muito. Acho que a prefeitura precisa de um sal grosso. Vou levar um quilo de sal grosso para exorcizar algumas coisas que têm lá na Prefeitura de Vitória”, emendou o parlamentar.
Em tom categórico, Fontoura afirmou estar cansado da "hipocrisia" que permeia o debate político local e pontuou que a atual gestão necessita urgentemente ser “passada a limpo” em respeito aos cidadãos de Vitória.
A insatisfação dos aliados mais próximos e as fortes declarações de Armandinho Fontoura repercutiram imediatamente e expuseram a fragilidade da articulação política da atual prefeita. Até o momento, a base governista de Cris Samorini não veio a público para rebater as críticas do parlamentar, sinalizando um momento de retração e forte reavaliação de forças nos bastidores.
A visível insatisfação dos parlamentares coloca em risco direto a governabilidade na capital em um momento estratégico. Sem canais de interlocução efetivos e preteridos nas tomadas de decisões governamentais, vereadores de diferentes siglas começam a sinalizar formalmente que o período de apoio ao Palácio Jerônimo Monteiro pode ter chegado ao fim.
O tencionamento da crise relacional pode provocar uma paralisia institucional decorrente do isolamento político herdado do seu antecessor e pré-candidato ao governo do estado, Lorenzo Pazolini.



