Núcleo Jurídico de Facção é Denunciado no ES
Foto: Ministério Público-ESO Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-Central), apresentou uma nova denúncia que emerge das investigações da Operação Telic. A 7ª Vara Criminal de Vila Velha acatou a acusação, impondo severas medidas cautelares a cinco indivíduos suspeitos de integrar o braço jurídico do Primeiro Comando de Vitória (PCV), organização criminosa atuante na região da Grande Terra Vermelha.
A decisão judicial transformou prisões temporárias em preventivas, decretou a detenção de um dos acusados e autorizou a quebra do sigilo dos autos. Os denunciados responderão por uma série de crimes graves:
Organização criminosa armada, com a participação de um adolescente;
Tráfico e associação para o tráfico de drogas;
Corrupção ativa e passiva;
Violação qualificada de sigilo funcional.
A ação do GAECO tem como alvo específico quatro advogados e um agente da Guarda Municipal. De acordo com o MPES, os advogados teriam se valido de suas prerrogativas profissionais para funcionar como elo entre as lideranças da facção recolhidas ao sistema prisional e os membros em liberdade, transmitindo ordens e orientações.
As investigações apontam uma advogada como figura central nesse esquema, que, segundo o MP, realizava atendimentos frequentes ao líder do PCV no presídio para facilitar o fluxo de informações, assegurando a continuidade das operações da facção e do tráfico de entorpecentes na Grande Vitória.
Como consequência, a Justiça determinou a suspensão imediata do exercício profissional dos quatro advogados denunciados, além de proibi-los de acessar unidades prisionais e de qualquer contato com detentos.
O quinto indivíduo denunciado é um guarda municipal que, segundo o MPES, utilizava seu acesso a sistemas restritos de segurança pública para obter dados sigilosos e repassá-los ao núcleo jurídico da facção.
As informações obtidas ilegalmente, provenientes de plataformas policiais e penitenciárias, permitiam ao PCV monitorar investigações em andamento, antecipar movimentações de aliados ou rivais e prever ações do Estado. O servidor público teve seu afastamento de suas funções mantido pela Justiça.
A Operação Telic foi concebida com o objetivo de desarticular as diversas frentes de atuação do PCV na Grande Terra Vermelha. A organização é historicamente investigada por crimes como homicídios, tráfico de armas, comércio ilegal de drogas e corrupção de agentes públicos.
Ao aceitar a denúncia, o Juízo da 7ª Vara Criminal de Vila Velha ressaltou a existência de materialidade e indícios robustos de autoria apresentados pelo GAECO, fundamentando as medidas de prisão e afastamento para a garantia da ordem pública e a correta instrução processual.



